sexta-feira, 30 de março de 2012

Gente da Floresta.....



foto (Ana Jatahy/Divulgação FAS)

SARACÁ, A FORMIGA BRANCA E BRAVA DA AMAZÔNIA.

No mês de Fevereiro, recebi um presente da Jacira Oliveira, Diretora do programa “Vozes da Floresta”, do qual faço parte da produção e apresentação, para executar uma pauta: cobertura da inauguração de um restaurante em uma RDS do Rio Negro, aqui do estado do Amazonas. Essa Reserva é uma dentre tantas que faz parte do maior programa ambiental do mundo promovido pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS), por meio do programa Bolsa Floresta e seus 4 componentes: Bolsa renda, social, associação, familiar. Atualmente são atendidas 15 Unidades de Conservação sendo, 11 reservas, 2 Resex, 1 APA e 1 Florest Maués.
A equipe da Tv Cultura passou cedo em meu prédio, às 7h30. No carro, eu, Cleber (cinegrafista) e Toga como motorista. Rumo ao Pier do Tropical Hotel, paramos no meio do caminho e tomamos aquele café com um bom sanduiche de tucumã e queijo qualho, o famoso x-caboquinho.
No Pier esperamos pela Presidente da Funtec Amazonas e saímos pontualmente às 9h. Como sempre ao navegar as águas do Rio Negro o silencio é o melhor companheiro. A beleza agiganta-se ao nosso redor, e qualquer som (além da voadeira) é desnecessário.
A reserva fica a 26 km de Manaus, e leva em média 1h30 de voadeira e faz parte das terras de Anavilhanas, o maior arquipélago de águas doce do mundo e um dos mais encantadores. Que visual! De cara, os comunitários a esperar na beira do barranco, tão ansiosos feito a nossa equipe para ver a hora mais esperada do dia “a inauguração do restaurante Encanto do Saracá”. O visual e quietude do local, os moradores de uma verdade estampada nos rostos, risos franco e tímido combinavam com a exuberância das terras a beira do Rio Negro.
A primeira pessoa a nos receber, como a todos os que ali chegam, é a figura mais emblemática do local. Uma mulher que decidiu adotar o local como seu há mais de 34 anos. Além de fundadora da Comunidade, divide a função de administradora do restaurante, professora, dona de casa e nas horas vagas, conselheira de todos.

Dona Raimunda Saracá, como a mesma afirma: “coisa melhor não há” é o retrato da mulher da região norte do País. Com uma beleza que vem de dentro e exala por todos os poros e olhares. Uma mistura negra, nordestina, índia, a cara do Brasil, a cara da Amazônia.



A cada momento no bate-papo que tivemos, ela mostrava detalhes entre menina, mulher e firmeza das Amazonas que fizeram essa Amazônia ser o que é. Uma emoção que aflora em lágrimas que escorrem dos olhos de uma guerreira em cada palavra de carinho que trocamos.
Aqui e acolá enquanto andávamos pela Comunidade, ela interferia na reunião entre moradores, presidente de associações de 19 comunidades do entorno, na fala de um vereador presente, junto aos moradores artesãos, na placa que estava sendo erguida e pregada na faixada do restaurante, e com orgulho, mostrando às crianças que dançavam quadrilhas e bumbás vestidas com adereços e fantasias a caráter e contando os minutos da chegada da próxima comitiva e convidados para a tão esperada hora da inauguração.

Quando menos esperamos ela desce as barranqueiras da comunidade ao avistar as lanchas ao se aproximarem do atracadouro, recepcionou com abraços e sorrisos emocionada com a ocasião. Almoço servido. Festa na Comunidade e histórias para contar.
Essas “Mulheres da Amazônia” feitas eu e você cabocla nortista, é que possuem o verdadeiro “olhar diferente sobre a Amazônia”.

Faz uma visita para esse povo da Comunidade do Saracá. Conheça a Dona Raimunda e sua família. Se tu és apreciador de um bom peixe, quietude e qualidade em atendimento, lá é o local certo. O Turismo Comunitário, certamente é uma das opções para o futuro da região.

Se tu não possuis barco, canoa, lancha, rabeta ou voadeira, vá até a Marina do Davi, próxima ao Tropical Hotel e pague por uma ida até o Saracá. Preço bom, viável e inesquecível. Que tal surpreender a gata ou a família?
Se for, vê se convida!
=)

Telefone Recanto do Saracá: (092) 91736049

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Amazônia, eu tenho cara de Brasil



Amazônia, eu tenho cara de Brasil

Apesar do interesse aparente de nações e até do povo brasileiro em anos de existência dos povos do Norte do País, o que se informa, e, portanto o que se consome sobre o assunto "Amazônia", são fatos fragmentados, histórias superficiais e imagens genéricas. O que se sabe do seu povo "original" não fica distante. São informações enormemente empobrecedoras ofertadas pela mídia e nas salas de aula. A coisa mais comum de se ler e de se ouvir na imprensa é noticias com o nome dos lugares e das tribos trocados, grafados ou pronunciados de maneira aleatória, por vezes um povo indígena é associado a locais que nunca viveu e também as imagens apresentadas não correspondem de fato ao local citado.

Até quando isso?

Os anos foram passando, novas iniciativas surgiram, o modelo Amazônia de sempre foi descartado. Povos assolados, extermínio em massa por endemias ou por carabinas. Exploração da Fauna, da Flora, do saber do povo, dos corpos dos povos, do ar que a Amazônia respirava e respira. Novas dissertações, novas teses, monografias editas e outras coisas mais. Pesquisadores, educadores, movimentos isolados, frentes montadas, ONG's pensadas e a alteração do quadro foram poucas ou quase nenhuma no quesito Amazônia e os povos da floresta. Os equívocos ainda persistem em salas de aula, a mídia insiste em veicular informações alarmistas e equivocadas. Professores continuam desinformados perpetrando em salas de aula a distorção do que é ser Amazonida (originários) ou o que é Amazônia. E no dia do índio, em todas as escolinhas brasileira nossas crianças continuam a ser pintadas no rosto, braços e pernas, cabecinhas, com cocas pulando e gritando Uhuhuhuhu!!!
Não seria ideologia ou utopia esperar que um dia possamos de fato observar avanços na educação de base no Brasil no que tange o seu povo de origem.
Que tal pensar em uma disciplina específica? Antropologia Cultural? Ou alguma disciplina que se fizesse presente em todas as séries apresentadas nas grades do ensino fundamental, médio e superior, reitero, sobre a verdadeira História desse povo dito brasileiro, sobre os originários e os que aqui aportaram transformando a nossa cara e a nossa voz. Quem sabe assim, não teremos que ficar com uma bucha pra esfregar nos nossos filhos para tirar-lhes o que as professoras em um ato de civismo de anos de lavagem cerebral, perpetuam em gerações e mais gerações do "brasilis". Bom Natal, "caras coloridas"

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

SINCEROS AGRADECIMENTOS
“Quem tem amigo não morre Pagão.”

Hoje, por volta das 2h da manhã, o terror bateu a porta dos meus familiares, no Bairro do Santo Antonio, em Manaus. Meu sobrinho , Rayhelisson Sobreira Edwards, sua esposa e filha passaram momentos onde cidadãos brasileiros, nos grandes centros, são vitimados.
O assalto.

Agradeço antes de tudo, ao Pai Deus Todo Poderoso por não ter ocorrido violência física.Agradeço aos caros amigos da imprensa, amigos de trabalho, que provam diariamente que o elo de amizade, não tem fronteiras quando se trata de defender e/ou ajudar os amigos de ofício e a população em geral.

Rádio Amazonas Fm, Fernando Paraíso, Patrick Motta, Odinéia Araújo e equipe do Jornal Em Cima da Notícia; Rádio À Critica, Alvaro Corado e equipe do matunino; Érika Lima, Diretora do Programa Magazine, e minha querida amiga de todas as horas; CBN, minha querida Samara Souza; Rádio Difusora, Eduardo Silva com toda a sua presteza e educação; Dra. Jaisa Fraxe e seu esposo Dr. Rogério com toda atenção e amizade; Aos policiais militar/civil, que fazem a nossa ronda em Manaus; Amanda Souza com seus contatos e carinho; Marcia, jornalista da SEMCOM, que auxiliou com seu carinho e contatos, também; Aos ouvintes que ajudaram com telefonemas aos meus familiares.
Somente tenho a agradecer o carinho e atenção de todos e me colocar desde sempre à disposição dos mesmos.

Força para a família Sobreira, que Deus está conosco e ainda vivemos com saúde e firmeza.
“Os anéis somem, os dedos ficam”

Quem tem amigo não morre Pagão.”


Tatiana Sobreira

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Rios e mais rios!!!! Pega!!!


Hoje recebi uma ligação de uma amiga estudante do curso Biologia. Ela pergunta: “- É verídica a descoberta de um novo rio no Amazonas? E é subterrâneo?
Respondi com gargalhadas: “- minha amiga é água que não acaba mais. Mais uma opção de água potável!”


No dia 25 de agosto de 2011 o ON - Observatório Nacional anunciou a existência de um rio subterrâneo, de 6 mil quilômetros de extensão, embaixo do Rio Amazonas, a aproximadamente 4 mil metros de profundidade. A descoberta ficou ao encargo da professora amazonense Elizabeth Tavares Pimentel, da Universidade Federal do Amazonas, durante seu doutorado, sob a supervisão do cientista Valiya Hamza, do ON. O Hamza (homenagem da aluna ao orientador).


QUADRO COMPARATIVO


AMAZONAS
Fluxo
Corre do oeste para o leste
Distância
Margem
1 a 100km entre uma margem e outra. Percorrem 0,1 a 2 metros por segundo.
Vazão
133 mil m³/segundo

HAMZA
Fluxo
Corre do oeste para o leste
Distância
Margem
200 a 400km entre uma margem e outra. Percorrem 10 a 100 metros por ano
Vazão
3 mil m³/segundo (ou seja, um volume 98%
inferior)


Apesar disso, os pesquisadores consideram uma boa média de vazão, já que o Rio São Francisco possui um volume inferior - cerca de 2,7 mil m³/segundo - e é capaz de suprir as necessidades de cerca de 13 milhões de pessoas.

A descoberta foi possível graças aos dados de temperatura de 241 poços profundos perfurados pela Petrobras nas décadas de 1970 e 1980, na região amazônica. A estatal procurava petróleo. Fluidos que se movimentam por meios porosos - como a água que corre por dentro dos sedimentos sob a Bacia Amazônica – costumam produzir sutis variações de temperatura.

Por enquanto, as informações obtidas a partir das perfurações equivalem a uma extensão iniciada na bacia do Estado do Acre, pelo rio Solimões e Amazonas, no Estado do Amazonas, rio Marajó, no Pará e deságua no Oceano Atlântico. Pesquisas futuras ainda podem revelar se o rio nasce na Cordilheira dos Andes. Elizabeth pretende fazer trabalho de campo com pesquisas das temperaturas em poços em todos os Estados da bacia Amazônica. Os dois primeiros Roraima e Amazonas. A pesquisadora afirmou para alguns jornais da capital amazonense, que essa, seguramente, é uma das descobertas mais relevantes para a ciência nos últimos tempos. A divulgação do trabalho ocorreu durante o 12º Congresso Internacional da Sociedade Brasileira de Geofísica, no Rio de Janeiro.

Vamos esperar incentivos não somente do Governo Federal, mas da iniciativa privada.
Estas e outras pesquisas na região norte do Brasil, precisamos massificar em divulgação. Quem sabe assim possamos de fato embelezar olhos e mentes com futuros promissores para o nosso País.

Dados de alguns sites
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticias/rio-subterraneo-hamza-embaixo-rio-amazonas-agua-doce-637735.shtml
http://www.pdt.org.br/index.php/noticias/brasil-tem-um-novo-rio-amazonas-subterraneo
http://acritica.uol.com.br/amazonia/Rio-recem-descoberto-reserva-amazonica-pesquisadora_0_542346225.html

Amazônia.

Palavra que automaticamente denomina: pensar em dimensões descomunais. Um lugar fantástico e rico em biodiversidade e mistérios.
Meu pai, sábio em seus comentários, sempre cita a seguinte frase: “em terra de sapo de cócoras com ele”. Célebre frase que casa com essa terra.
Exuberâncias a parte, permitir que a Amazônia viva em você para uns é fácil, quanto para outros um martírio. No tocante, as entranhas fazem parecer um emaranhado de caminhos ainda não explorados e a explorar. Sem titubear, um arcabouço de saber infindo.
O dito progresso que a humanidade ambiciona e que desde a revolução industrial é perseguido feito aves de rapina sedentas por suas presas e carniças, é brecado ao adentrar as profundezas da mata. Uma vastidão de informações aos olhos. Tudo é generoso, abundante. As populações que aqui vivem, não poderiam deixar de ser distintas. Todos calorosos, receptivos e cônscios do seu habitat. Terra que atrai pesquisadores, exploradores, gangsters, migrantes e imigrantes curiosos ou não na busca em desvendar essa Divina Deusa chamada Amazônia.
O principal entrave, consideravelmente, não é o desconhecimento, mas sim as distâncias e vias de acesso. Com melindres confesso confortar-me o pensamento.

Folgo em saber, egoisticamente, que nós “seres formigas”, ditos civilizados, possamos demoradamente adentrar fundo nessa imensidão Amazônica. Quem sabe no decorrer do caminho, ou morremos ou sobrevivemos para nos ver transformar em senhores de novos pensares, olhares e oportunidades de se viver melhor e como tudo fora um dia e ainda o é de forma simples e sem muitas ilusões. Nem para mais ou menos. O caminho do meio.

Os eventos que ocorrem em meio à selva nos propiciam um vislumbre do que um dia o Eldorado Amazonida já proporcionou e o que de fato podemos fazer nos dias atuais com consciência, qualidade e zelo no trato sócio-cultural.

Preservar a identidade de um povo não é lá uma tarefa fácil. Pensar e agir culturalmente na Amazônia, um desafio fabuloso. As imemoráveis lembranças retratadas pelo Cineasta Silvino Santos, de uma Amazônia em seu apogeu do ciclo da borracha e de tantos outros fatos isolados que ocorriam à época é de encher os olhos e o coração de saudades, além de pincelar “vontades” em conhecer o passado e investir na continuidade do viver em “Abundância Amazônida” num futuro próximo.
A descrição do evento a seguir, vale para quem busca conhecer passos do renomado cineasta, como também atividades que imprimem esforço e aprimoramento em vídeo-documentação da Região Amazônica. Eu já agendei minha ida à 5ª Mostra Amazônica do filme etnográfico. Se por ventura estiverem em nossas terras, aproveitem!


De 21 a 27 de outubro, Manaus sediará a 5ª Mostra Amazônica do filme etnográfico. O evento, que tem o financiamento do Programa de Apoio à Realização de Eventos Científicos e Tecnológicos no Estado do Amazonas (Parev) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM), acontecerá no Palacete Provincial, na Praça Heliodoro Balbi, no Centro da cidade.
Segundo a coordenadora da Mostra, professora Selda Vale da Costa, a 5ª edição da Mostra pretende ir além da divulgação de filmes produzidos na região ou de seus realizadores. O principal objetivo do evento é o aprofundamento das discussões sobre a produção fílmica na região e a importância desta memória audiovisual amazônica para o fortalecimento das identidades.
Fórum de debates e oficinas
A mostra contará com um importante Fórum de debates sobre a Memória Audiovisual na Amazônia, com a presença de representantes de instituições como o Museu da Imagem e do Som do Amazonas (Misam), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e também dos críticos de cinema Pedro Veriano e Luzia Álvares, que há mais de 50 anos se dedicam à crítica cinematográfica no Pará.
Será oferecida, ainda, oficinas nas áreas de cinema e antropologia, possibilitando um diálogo mais aproximado do que seria um filme etnográfico e facilitando na região a produção de filmes deste gênero.
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“Desta maneira, continuaremos a cumprir uma meta que se mantém firme desde a primeira edição da mostra: contribuir para a formação de jovens estudantes interessados em aprimorar não somente o fazer cinematográfico, mas também adquirir a sensibilidade de se transformar uma pesquisa antropológica num produto audiovisual”, explicou a professora.
Conferencistas convidados da área de cinema
Nesta edição o evento contará com a presença de vários convidados, entre eles: Claudia Mesquita, professora do Curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisadora de cinema com doutorado pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP); Junia Torres, mestre em Sociologia e Antropologia pela UFMG, coordenadora da Associação Filmes de Quintal e diretora do Festival do Filme Documentário e Etnográfico ‘forumdoc.bh’ e Marco Antônio Gonçalves, doutor em Antropologia, diretor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), autor de ‘Devires Imagéticos’.
A programação contará também com Pedro Veriano, médico estudioso do movimento cinematográfico no Brasil e, especialmente, na Amazônia; Luzia Alvares, doutora em Ciência Política e professora da Universidade Federal do Pará (UFPA) e Joel Pizzini, cineasta e documentarista. Pizzini produziu os filmes: Dormente (2005), 500 Almas (2004), Glauber Rocha (2004), realizado para a TV, Abry (2003), Enigma de um Dia (1996) eCaramujo-Flor (1988). Recebeu o Prêmio Internacional de Cinema da Bahia, por Enigma de um Dia, e o Prêmio de Melhor Filme do Festival de Cinema de Brasília, por 500 Almas (2004).
Minicursos sobre produção audiovisual
De acordo com a coordenadora, além da mostra competitiva de vídeos etnográficos, haverá oficinas e minicursos sobre a produção audiovisual. “Também haverá homenagem ao pioneiro Silvino Santos, nos seus 125 anos de memória entre nós, além do reconhecimento aos 50 anos da criação do Parque Nacional do Xingu com os irmãos Villa-Boas”, explicou.
O evento trará ainda uma exposição fotográfica sobre o povo Waimiri Atroari, assim como na abertura a exibição do filme do Aurélio: ‘Os Índios gigantes e o Brasil grande’, sobre os índios Paraná do Xingu, além de ‘Davi contra Golias’, do povo Yanomâmi.
Sobre o Parev
Esse programa foi criado pela FAPEAM e consiste em apoiar, com recursos financeiros, a realização de eventos científicos e tecnológicos no Estado do Amazonas.
Foto2: Divulgação
informações http://www.fapeam.am.gov.br/noticia.php?not=5603

quinta-feira, 30 de junho de 2011


Herança Genética

Diviso a distância, uma canoa a cruzar o rio. Solitária. Não sei a quem pertencia. Estava a deriva. O ano, 2111, eu uma criança de 11 anos. Esperei tanto por esse momento. Minha mãe alimentou diariamente o que eu poderia descobrir ao abrir aquela cápsula que estava em minhas mãos. Dentro da mesma, um envelope com uma carta. Segundo mamãe, a autora havia sido minha bisavó que um dia fora uma jornalista. Como será que teria sido essa mulher?

Olho em volta. Estou sozinha, sentada num pedregulho ao lado do que sobrou de um rio barrento. Tudo ao meu redor fora destruído. Nossa comunidade tentava reconstruir o que podia, mas era muito difícil. Áreas imensas descampadas, pobreza em volta. A escassez por água e alimentos assolava o mundo e consequentemente, nossa comunidade. O que antes fora uma imensa floresta, conta somente, com pequenas árvores que foram salvas em estufas por estudiosos e profissionais da área. Minha avó diz que nos tornamos reféns da ambição. Ainda não entendo o que significa essa palavra, ela afirma que é algo que desejamos sem ser nosso. Comparo algo entre a fome ou a sede.

Gostaria de ter conhecido minha bisavó. Mamãe dizia que os escritos dela eram uma forma de nos aproximar. Estava nervosa. Com as mãos sujas e trêmulas, abri.

Sai de dentro um perfume cítrico e abafado. A mistura do tempo é incrível. Decidi ler.

“Oi minha querida bisneta ou bisneto, nem sei qual é o seu nome. Sei somente que carregas a mistura daquilo que fui um dia,a minha continuação. Antes destas palavras nasceram outras, incontáveis. Forma tantas, inúmeras feito às possibilidades de você sorrir e brincar. Decidi contar estas. Boa viagem, meu sangue, te amo.


Meus Autos Juninos!
Como cruzar Palavras dos meus caminhos com textos e explicações, sentimentos, percepções. Sigo montando quebra-cabeças com honra e determinação.
Abraçar pela manhã minhas tentativas de enterrar com palavras, meu passado
Noite passada eu tive um sonho: Vi o meu presente.
Estava deitada em minha cama a observar meu corpo. Cada detalhe, cada movimento. Que cena torpe.
Meu sopro quase morto de mim. Um semblante adormecido, contrito.
Um corpo cansado, diferente, sem vida, asfixiado pelo tempo.
Acordei de sobre salto, afogada em lembranças.
Sinto nesta manhã que poderei ser eu sem futuro. Poderei ter um dia de cada vez, sem reprises, somente com uma atriz e vários atores.
Ontem eu tive um sonho, sonhei comigo deitada ao meu lado, abracei o meu passado e aprecie o meu presente.

Ví:

A Autoajuda de necessária tornar-se moda no modo de ganhar dinheiro dos desesperados por si.
O Autodidata que aprendeu sozinho transformar-se num artigo de prateleira. Mera autoclasse sem vapor.
As Autobiografias de histórias de alguém mudar-se para status de celebridades vis, não mais escritas por uma, mas duas ou três mãos com bolsos furados de tantos vinténs.
A Autodeterminação que até bem pouco tempo era um direito de um país decidir o próprio destino político, vender por barganhas de poder suas nações, como bônus, como prêmio, os seus cidadãos perdidos e sem direção.
A interferência externa é uma constante, silenciosa, por vezes desavergonhadamente gritante, belicosa e travestida de ilusão.
Os países revelarem-se o desenho da Autolotação compromissados com um propósito, uma direção: o de encurtar distâncias usando levianamente o nome globalização.
Resultados mórbidos danificam equações, alucinam sonhos que desconstroem com acordos bilaterais de meia dúzia de famintos por posições, projeções entre bajulações, contas em paraísos fiscais em um automatismo desnecessário. Retrato fiel da automatização. Definitivamente substituiram as formigas humanas, operários dos sonhos, por máquinas que lhes imitem os movimentos seculares.
Autoestima? Ahh! Conta bançaria!
Na esquina? Nada.
Em casa: adentra pela TV, a “Autoescola da corrupção”.
O sonhador Autônomo que antes era governado por leis próprias, livre, trabalhador sagas, hoje é o empreendedor continuamente assaltado pela Pátria vendida, despatriada.
Quero pedir uma Autopsia. Vamos examinar esse cadáver.
O “cadáver” o inventor, do causador Autor. Quero autuar também, os Legisladores infratores, sonegadores, opositores do meu progresso. Quero me autuar por cegueira.

Estou cansada desse Autorama. Dessa infame pista automobilística em miniatura. Não quero mais ser carrinho de brinquedo que disputa corridas em espaços limitados.
Dê-me de volta a minha Autoria, quero de volta a minha qualidade ou condição de autora.
Eu sim sou Autoridade, eu tenho o poder, domínio, prestígio, sobre o sonho que sonhei na noite passada.
Posso me abraçar de novo.
“Autoritários de plantão, sem escrúpulos, déspotas, inúteis. Eu sou uma sonhadora que decidiu acordar para a minha nação.
Estão nos autos.
Seja o da compadecida ou não paixão pela vida.
Serei eu, mais uma escolhida e acolhida por mim”

Ontem à noite tive um sonho.
Sonhei que retornei à Terra.
Minha herança genética.

quinta-feira, 2 de junho de 2011


Impressões e Expressões do I ENCONTRO MICROPROJETOS MAIS CUTURA- AMAZÔNIA LEGAL 903 PROJETOS DE INCENTIVO À ARTE, CULTURA, DESIGN E MODA do Ministério da Cultura no Amazonas.

Eu ainda não divisara o fim da esperança.


Ontem, fui ao Palacete Provincial, repleta do sentimento mais nobre da caixa de Pandora “Esperança”. Não somente eu, mas todos que há mais tempo trabalham, atuam no mercado e que militam com a causa do “Amor à Arte”, a identidade Amazonida, a diversidade dos povos do Norte do País. Todos com um único objetivo, o de saber o que o convite que nos fora enviado, resultaria. Título: I ENCONTRO MICROPROJETOS MAIS CUTURA- AMAZÔNIA LEGAL 903 PROJETOS DE INCENTIVO À ARTE, CULTURA, DESIGN E MODA.

Que coisa mais linda! =)

Logo que cheguei, uma multidão estava a postos em frente ao Palacete Provincial, Praça Heliodoro Balbi (antiga Praça da Polícia) a espera da Ministra Ana de Hollanda e seu eterno amigo e escudeiro Presidente da FUNARTE Antônio Grassi ( que até agora não entendi o porque do próprio não ocupar o lugar de Ana no Ministério). A presença do eterno Secretário de Cultura do Amazonas Robério Braga, o Governador em Exercício Mello e demais representantes da Assembléia Legislativa, Câmara Municipal e de outras secretarias do Governo Federal e Municipal .
Depois da apresentação dos mesmos, surge a presença relâmpago da Primeira Dama do Estado Nejmi Aziz. Em seguida a dança ciranda do Bairro São José. Por fim, nos encaminharam para uma das salas do Palacete. Inovações do Governo Federal na Pasta da Cultura para o tão sonhado povo Nortista?

Vejo em meio a tudo isso, um Thiago de Mello sair apressado da sala numa espécie de predição do que haveria de ocorrer no desenrolar da noite. Nada.

Nada do que nós já não soubéssemos. Nada para os ouvidos ávidos por novos projetos e incentivos à Cultura, Arte, Design, Moda, Cinema, Música, Eventos, Dança, Audiovisual, Eventos, Literatura, enfim, ao refresco e claridade para a mente humana.

O que vimos, foi fora uam sintese em explicações e explanação em Power point conduzidos pelo Presidente da FUNARTE Antônio Grassi, dos premiados no edital do ano passado em projetos aprovados para a região norte. Uma Ministra com o seu jeito de ser: calmo, peculiar, singelo, uma lady.
Os textos da Ministra? Lidos calmamente e politicamente corretos, a citar a forma nervosa ao explanar sobre os 14 mi destinados a 9 estados da Amazônia brasileira, parcela esta, que ocupa mais da metade do território brasileiro.
Quando a mesma abordou sobre as multiplicidades das manifestações artístico-culturais, fez uma alusão ao desconhecimento do restante do país sobre cada segmento cultural que desenvolvemos, onde citou que a mídia que produz e divulga informação sobre a região amazônica, não o faz como deveria ser feito. A mídia é a culpada, então por nossa cultura não alcançar o restante do País?.

Ratifico então um pensar uníssono.
Esperamos políticas públicas comprometidas com pesquisas, incentivos e certamente, com equipes disciplinares e programas que efetivamente saiam das laudas para ações de fato. A nossa Culturado povo nortistas, povo brasileiro, estamos ávidos por atividades neste segmento.

Infeliz comentário,o da Ministra, ao generalizar a estranheza que a maior região territorial do país causa ao restante dos brasileiros, em suas manifestações culturais ou coisa que o valha, como se fôssemos habitantes de outro pedaço que não o Brasil. Classificar de “esquisitos” os habitantes nortistas, beira o descaso.
Como em pleno século XXI, preservar a diversidade cultural, a pluralidade de povos, a história de uma população, a originalidade dos nativos, a oralidade, a pesquisa de campo dos arqueólogos, antropólogos, contadores de histórias, lendas, educadores, tratadores do áudio-visual, trabalhadores da música, teatro, dança, apresentadores, documentaristas, cineastas, roteiristas, infinitos ofícios do labor cultural, ser chamados de “esquisitos”? Menos.

Porém a melhor parte da noite estava por vir.
Ficou ao encargo da própria Ministra ao citar a beleza e grandeza da nossa caboclinha Márcia Siqueira e seu canto. O auditório aplaudiu com fervor.
É Ministra, de fato, não somos esquisitos ao certo. Somos brasileiros.

Para fechar o discurso, à ministra fora abordada por representantes do Culto Afro-brasileiro, com suas reivindicações e um encerramento com canto africano belíssimo, a própria sai cambaleante, desnorteada nos deixando a deriva e calados. Da mesma forma que entramos, saímos.

É, caros amigos! Estou convicta. A parcimônia aparente do Ministério da Cultura se faz comprovar. Espero que Oxalá, Deus nosso Pai, ilumine e dê forças a Ana. Porque, ela irá receber muitos, ainda, da nossa região. A meu ver, será cordada em nos receber.

A nossa eterna luta incansável em prol da cultura e da coisa pública para o Norte do País, ganha novos ares. A caixa de pandora que há tempos fora aberta faz da “Esperança” um sopro de união para os amantes da arte nortista. Quem dera que tivéssemos ao menos um sopro do que o nosso vizinho da Venezuela, por meio do Maestro Antônio de Abreu proporcionou a mais de 200 mil beneficiados com o Programa “El Sitema”’ no segmento música, arte e novos ares ao seu País. São 32 anos de luta, unificando e formando um verdadeiro batalhão dos melhores músicos da atualidade em erudito, clássico, popular, exportando assim, os melhores músicos do mundo e os melhores regentes, maestros de orquestra. A citar Gustavo Dudamel.

Vamos lá! O governo Federal terá trabalho. O Ministério da Cultura ainda ouvirá falar e muito sobre nossa região. Assim conforme iniciei:

Eu ainda não divisara o fim da esperança.

Obrigada e boa sorte.

terça-feira, 24 de maio de 2011


Amazônia x E-comerce

A internet, certamente, nos dias atuais é um dos melhores comércios.

O que antes parecia impossível, hoje com alguns clicks conseguimos não somente adquirir produtos e ter acesso a artesanatos de algumas regiões do Brasil e ainda como bônus adquirimos informações sobre cada um dos estados que nos fornecem maravilhas. Prova viva do que ainda nos reserva pela frente de um mercado silencioso e ágil, que as mídias tradicionais não exploram com profundidade.

Acreditando cada vez mais nesse potencial de mercado, alguns empresários do Norte do País, a exemplo o Estado do Pará, que caminha a frente em qualidade e lançamento, do que os demais estados do Norte do Brasil apresentam uma infinidade de artesanatos, sejam eles, brincos, produtos naturais orgânicos, artes plásticas, cerâmicas, cosméticos, canto, dança, entretenimento, atreladas a variadas atrações turísticas e hospedagens em lugares paradisíacos. Um contraponto. O Pará, como outros estados do Norte do Brasil, a cada dia que passa, como se sofressem uma praga conjunta, é assolado por explorações desenfreada do Pólo Madeireiro, extração em garimpos a céu aberto, exploração sexual infantil, conflitos de terras... E por ai vai. Mesmo com tudo e por tudo, o Pará não perde a sua beleza e particularidade.

Registro também, o estado do Amazonas que deu um salto em qualidade e produtos do seguimento, prometendo incrementar cada vez mais no setor. Apostas que virão em breve, não somente assinados com o aval da Zona Franca de Manaus, a citar a ousadia e parceria em centros de pesquisas, tanto do INPA, quanto do Emilio Goeldi, dois grandes centros de pesquisas na Amazônia que transformam o conhecimento popular por meio de seus estudos, possibilidades para atividades econômicas na Amazônia. E óbvio, parceiros como financiadores, Bancos e o apoio do SEBRAE, que preparam novos “empresários de Negócios da Amazônia”, trocando em miúdos, definitivamente, em “os empreendedores dos negócios da Amazônia”.

Precisam investir mais, abrir novas linhas de créditos, disponibilizarem acessos para a população, fomentar no Norte, novos horizontes. Negócios oriundos desses centros de pesquisas. Orientar o pequeno produtor a expandir o que aqui já exercem. Tornar municípios da região norte do país exportadores do seu produto. Resultado: renda para o ribeirinho a curto, médio e longo prazo. Uma forma de deixá-lo em sua terra natal e cuidar do que possui a milênios, o saber tradicional, o seu povo, a sua história.
Tudo com um click. Somente um é o inicio de uma viagem vasta pelo interior da Amazônia.
Decididamente é um Olhar diferente sobre a Amazônia.

Dos amazonidas para o mundo encurtar distâncias.
Ao meu ver o que parecia ser o principal entrave do desenvolvimento da Amazônia, caiu por terra faz tempo- “o desconhecimento”. Hoje, a realidade está ai, encurta distâncias e unifica continentes. Com as redes sociais midiatizou-se o entendimento e o acesso não somente para brasileiros, mas para o mundo ver e ouvir.

Te cuida Amazônia. Boa sorte.


Olhada básica para gamar. Eu estou apaixonada há 37 anos! Cada um dos sites abaixo é responsável por seu conteúdo.

www.copaamazonia.com.br
www.naturaisdaamazonia.com.br
www.amazonart.com.br
ritaprossi.com.br
www.amazonprodutos.com.br/

segunda-feira, 16 de maio de 2011


Um dedo de prosa


Caros amigos, ouvintes e telespectadores que sempre acompanharam e acompanham meu trabalho.

Foram mais de 400 programas de rádio veiculados na Amazonas Fm, diariamente às 20h( hora Mao-Am) com Notícias da Região Norte do Brasil e Músicas do mundo todo. O maravilhoso Amazon Space, Um Olhar Diferente Sobre a Amazônia.

Agradeço a todos que fizeram parte desse time e que contribuíram para mais um produto que lancei no mercado com êxito, interatividade e qualidade.
O Programa saiu do ar, por motivos, que em breve, os possa solucionar e quem sabe retomá-lo.

Os manterei informados, e, ficarei por um tempo, como todos devem ter percebido distante das redes sociais e mídias tradicionais.
Agradeço e espero sempre contar com a gentil amizade e audiência de todos em futuros projetos.

Com carinho e afeto,
Tatiana Sobreira

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011


SONS NOVOS DA AMAZÔNIA

Desembarquei no aeroporto de Vira Copos, em Campinas (SP), às 05h50 no dia 13 de Fevereiro, na cabeça somente uma preocupação - chegar o mais rápido possível ao estúdio Cajueiro Áudio.

Há mais ou menos três meses fui convidada para fazer parte de um projeto: gravação do novo trabalho da cantora Leila Pinheiro. Aceitei no ato o convite do Produtor Musical/músico Marco Bosco, que divide a produção do Álbum com o renomado Produtor Musical/músico e arranjador Paulo Calasans. A assinatura? Beleza e diferença, característica do trabalho destes dois profissionais, que aqui não cabe quaisquer comentários sobre o assunto.

Acordamos cedo.

Rumo ao estúdio, poucos metros de onde estávamos hospedados, chega o momento “dos encontros”. O ambiente, uma energia que contribuiu para sinalizar como seria o andamento do projeto. Reencontro amigos, e conheço profissionais das mais variadas aptidões musicais e de produção de áudio/vídeo/fotografia.

O Circo armado faltava somente a nossa queridíssima Paraense Leila Pinheiro com seu talento e alegria de viver indispensável. Ela adentra o estúdio do meio, da Cajueiro Produções de Áudio, feito um furacão e rapidamente passa para o estúdio do lado e começa a cantar sem parar,resultado: quatro músicas no primeiro dia em menos de uma hora. Esta particularidade, para quem já acompanhou de perto o trabalho de Leila Pinheiro, sabe que não seria de outra forma. Leila é ávida, ágil, cuidadosa e atenta no seu ofício. Exímia interprete excelente com a voz e perspicaz na entonação, cantora de fato.

Mais um sucesso garantido pela frente.

As músicas desse novo trabalho, primorosas. Composições de quem sabe com bom gosto e com o coração anunciar sucesso: Nilson Chaves, Ana Terra, Vital Lima, Joãozinho Gomes, Eliakin Rufino, todos compositores e cantores da Amazônia brasileira. Diferença, também, não somente com os arranjos de Paulo Calasans, mas a participação de uma Pajé do estado do Pará, Dona Zeneida Lima que compõe suas músicas em beiradões (margens) de rios e sombras de árvores e desenvolve excelentes trabalhos em comunidades marajoára. O álbum ainda sem título faz a junção dos sons de Leila Pinheiro, Marco Bosco, Paulo Calasans que assinam tabém trabalhos nacionais e internacionais e agora com o Norte do País, pretendem fazer uma fusão de sons originais da Amazônia, um toque de ousadia, swing brasileiro e sons do mundo.

Os outros músicos convidados são: Petch Calasans, tão talentoso quanto o seu irmão, toca baixo elétrico/acústico, sensibilidade sem igual e um humor inigualável, que nos fez adorar não somente a sua pessoa, mas também, a amá-lo com o avançar dos dias; Junior Meireles, grande violonista/guitarrista/cantor, empresta seus talentos e tais habilidades fizeram aproximar-se e tocar com vários músicos nacionais/internacionais dos quais passaram a adorá-lo por sua capacidade e desenrolar na execução dos arranjos apresentados, figura linda e feliz.

A engenharia precisa de Mauricio Cajueiro, onde mixa com seus dedos de maestro o formato de cada um dos talentos. Grande em todos os sentidos. O grande Cajueiro. A sempre presente, Patrícia Bellini, além do excelente trabalho na assistência de som (engenharia) revelou-se uma produtora atenta e presente a qualquer chamado.

Marcos Spirito, produtor que em tudo estava atento com seus “erres”de caipira e até com os lenços para as lágrimas que teimaram em cair durante o emocionantes momentos, grande parceiro de todas as horas.

Sem falar no Fernando, o Peteca, seu clique em todos os lugares e ângulos inimagináveis.

Ao Billy e suas câmeras de vídeo, com sua equipe sempre presente.

Por estas e tantas, acredito no novo tempo da Amazônia. Acredito neste trabalho. Acredito no som do tempo da Leila e de todos nós que de uma forma ou de outra, contribuímos para o processo de criação deste novo filho Pinheiro.

Voltaremos para a segunda fase do projeto no dia 13 de Março.

A novidade que contarei no próximo post sobre este projeto, além do nome do álbum, também será sobre os países onde irão lançar o documentário que fui gravar sobre esta ramificação da Amazônia juntamente com o DVD e o CD.

É um estímulo a arte que nunca morrerá.

Isso sim é preservar a Cultura Nortista brasileira.

sábado, 15 de janeiro de 2011


2011, UMA ODISSÉIA NA TERRA.

Tempo de arrumar camas, cabeças, vidas, mundos, universos.

Penso que ao abrir meus olhos diariamente e durante o entardecer de minha Amazônia, toca-me além do que supunha. Não somente o pôr-do-sol, mas onde este sol bate diariamente 24h na sua verdadeira forma de ser neste Planeta.
O mesmo Rio que descansa toda manhã e entardecer é o mesmo Rio que deixa centenas de milhares de famílias desabrigadas durante a cheia, além de desamparadas também, durante sua vazante. O mesmo Rio que nos farta a fome e o que recebe inúmeras embarcações devastando suas águas por um alimento comercializado em larga escala, a pesca clandestina. O mesmo Rio que recebe pessoas que cruzam suas águas, que são suas estradas é o mesmo que recebe toneladas de lixo. O lixão das populações deste chão. Lixão este, que se constitui devido à ausência do dever cumprido de políticos eleitos para ocuparem cargos destinados ao zelo de tantos que confiaram como a um Santo que iria e irá operar milagres possíveis em promessas feitas em romarias eleitorais.
As matas, que outrora abrigavam seres destas, hoje somente servem de comércio, a madeira de sombra e descanso, tornou-se a mina de contrabandistas. A humanidade retrocede. A Natureza caminha e continua a ser a única detentora de si. Organismo vivo que sabiamente responde seus anseios.

Muitos a chamam de vingativa, que faz a sua própria justiça, ou que irá ser o “Apocalipse” prenunciado. Aquela que irá deixar à mercê a existência terráquea dos inteligentes seres humanos silenciados.

Mais 40 mil desassistidos a tempo no Amazonas durante a seca existente no ano de 2010. Conseqüências irreparáveis. Feridas que seguramente nunca irão sarar, sangrarão eternamente, nem o tempo sabe a solução.

Rio de Janeiro recebe neste início de ano, a maior catástrofe que ocorreu em pleno século XXI no Brasil. Até o dado momento nos 07 municípios da região serrana do Rio, mais de 600 corpos encontrados mortos e o número de desabrigados giram em torno dos 15 mil. Um cemitério a céu aberto. Um Rio de lágrimas se faz no Rio de águas que devasta famílias e morros.

Não foi a terra ou a Natureza que se virou contra populações ou somos os culpados pela Tromba d’água que caiu sobre a Serra Carioca. Autoridades despreparadas em avisar, alertar. Autoridades que não deram o devido direcionamento ou a contratação do contingente necessário para retirada em massa destas pessoas do local. Equipes que não conseguem chegar a áreas de deslizamentos que estão isoladas. Tantos que morreram e que nem sabem que morreram. Famílias devastadas em sentimentos e desolação.

Apresentadores de televisão, jornalistas, comentaristas, que em anos de profissão calcados da imparcialidade na informação, não conseguem disfarçar a dor estampada em seus rostos. Muito mais do que uma figura de perplexidade apresentada pelas televisões no mundo, eis um genocídio prenunciado nesta catástrofe do Rio de Janeiro. Renova a irônica certeza do despreparo do Pais em dispor de segurança, qualidade de vida, e zelo para com a população.

O que vale de fato na vida? Quem são os verdadeiros culpados, se é que existem? Precisam-se encontrar culpados, talvez assim aliviem-se tantos corações brasileiros espelhados pelo Brasil e pelo mundo a fora e a tamanha “cara-de-pau” desses larápios do colarinho branco. Esses detalhes sutis demonstram a contrariedade notória de tantos que vivem aqui nestas terras brasileiras abençoadas e de quem visita o nosso País. O que nos foi generosamente ofertado? Resposta: a possibilidade de criticarmos, repudiarmos, censurar, denunciar. Depois solidarizarmo-nos e ajudar.

Tempo de arrumar não somente camas, cabeças, vidas, mundos, universos. Tempo de arrumarmos esperanças, amores, condutas e finais felizes. Tempo de mudança.
Espero que sejamos pacientes e providentes como a Natureza. Embora muitos pensem o contrário, a Utopia, ou o nome que queiram dar para minhas palavras e forma de pensar e agir, pouco vale neste momento. Utópicos e insanos são os que não sentem com o passar dos anos a feliz generosidade que é a oportunidade de viver.

Façamos mais além de nós mesmos. Façamos por todos. Movimentar-se é preciso.


ALGUNS CONTATOS PARA DOAÇÃO RETIRADOS DO SITE g1.globo.com

Para doar sangue
O HemoRio montou um esquema especial de atendimento. Para doar é preciso estar bem de saúde, ter entre 18 e 65 anos e pesar mais de 50 kg. Não é necessário estar em jejum. A única recomendação é evitar alimentos gordurosos antes da coleta. Interessados devem se apresentar com um documento de identidade. Quem preferir, pode agendar um horário para fazer a doação no telefone 0800 282-0708. O HemoRio fica na Rua Frei Caneca 8, no Centro, e funciona de segunda a domingo, das 7h às 18h.

Contas para doações em dinheiro
A Prefeitura de Teresópolis disponibilizou uma conta corrente no Banco do Brasil para receber doações e ajudar as famílias atingidas pelo temporal. Com o nome “SOS Teresópolis – Donativos”, a conta corrente é número 110000-9, na Agência 0741-2. Há também a conta 2011-1, Agência 4146, da Caixa Econômica Federal. O CNPJ da Prefeitura é número 29.138.369/0001-47. Outras contas:

Prefeitura de Nova Friburgo
Banco: Banco do Brasil
Agência: 0335-2
Conta: 120.000-3
Defesa Civil – RJ
Banco: Caixa Econômica Federal
Agência: 0199
Operação: 006
Conta: 2011-0
Fundo Estadual de Assistência Social do Estado do Rio de Janeiro
CNPJ 02932524/0001-46
Banco: Itaú
Agência: 5673
Conta: 00594-7
Campanha SOS Sudeste (CNBB e Cáritas Brasileira)
Banco: Caixa Econômica Federal
Agência: 1041
Operação: 003
Conta: 1490-8

ou

Banco: Banco do Brasil
Agência: 3475-4
Conta: 32.000-5


Retorno para casa depois de uma viagem marcante ao interior do Amazonas, Tefé. Próximo texto que construirei para todos nós. Beijos e obrigada, com carinho.

Tatiana Sobreira

domingo, 2 de janeiro de 2011



AMAR OU NÃO AMOR?

Em uma das máximas do livro “O Pequeno Príncipe” de Antoine De Saint-exupery, é construído um paralelo entre amizade e compromisso, no qual resultam, responsabilidades invisíveis de co-dependência, ou seja, tornar-se responsável por tudo que despertamos em sentimentos e apegos sentimentais.

A liberdade apregoada por tantos filósofos e pensadores, acaba dissolvendo-se nesta comparação. O que foi ofertado de livre em seguir os caminhos e raciocínios enquanto viventes na terra parecem que necessariamente precisamos caminhar com cordas invisíveis de sentimentos gerados e proporcionados a outrem. Ora, que validade há em ofertar ao corpo e a mente a liberdade por meio do “conhecimento” se este se torna refém dos sentimentos?
Escrevem durante milênios, célebres e formosos estudiosos e admiradores do “Amor”, ressaltam que tal sentimento é a mais pura manifestação do Homem. Sentimento Divinizado em crenças, por meio de seus deuses e pela própria humanidade como o sentimento mais nobre e Universal. Dicionários o definem, como: “amor (ô) (latim amor, -oris) s. m.//1. Sentimento que induz a aproximar, a proteger ou a conservar a pessoa pela qual se sente afeição ou!atração; grande afeição ou afinidade forte por outra pessoa (ex.: amor filial, amor materno)=!AFETO ≠ ÓDIO, REPULSA;. Sentimento intenso de !atração entre duas pessoas. = PAIXÃO;3. Ligação afetiva com outrem, incluindo geralmente também uma ligação de cariz sexual (ex.: ela tem um novo amor; anda de amores com o colega). (Também usado no plural.) = CASO, NAMORO, RELACIONAMENTO, ROMANCE,Ser que é amado;. Disposição dos afetos para querer ou fazer o bem a algo ou alguém (ex.: amor à humanidade, amor aos animais). ≠ DESPREZO, INDIFERENÇA; Entusiasmo ou grande interesse por algo (ex.: amor à natureza). = PAIXÃO ≠ AVERSÃO, DESINTERESSE, FOBIA, HORROR, ÓDIO, REPULSA; Coisa que é !objeto desse entusiasmo ou interesse (ex.: os livros eletrónicos são o meu amor mais recente). = PAIXÃO; Qualidade do que é suave ou delicado (ex.: faz isso com mais amor). = BRANDURA, DELICADEZA, SUAVIDADE; Pessoa considerada simpática, agradável ou a quem se quer agradar (ex.: ela é um amor; vem cá, amor). = QUERIDO; Coisa cuja aparência é considerada positiva ou agradável (ex.: o quarto dascrianças está um amor).; Ligação intensa de !caráter filosófico, religioso ou transcendente (ex.: amor de Deus). ≠ DESRESPEITO;. Grande dedicação ou cuidado (ex.: amor ao trabalho). = ZELO ≠ DESCUIDO, NEGLIGÊNCIA.”
Em todas as definições nota-se que há a característica de:
amor cortês: sentimento, frequente na literatura medieval, que se caracteriza por uma relação de vassalagem entre o cavaleiro e a sua amada.
amor livre: ligação afetiva que recusa as convenções sociais e as instituições legais, nomeadamente o casamento.
fazer amor: ter relações sexuais.
morrer de amor(es): gostar muito.
não morrer de amor(es): não gostar.
por amor à arte: de forma desinteressada.
ter amor a: dar importância a (ex.: se tens amor ao dinheiro, pensa melhor no que vais fazer).

Das definições acima citadas percebem-se o mais puro sentimento de vivência, de liberdade e de entrega sem retorno. O sentimento de dependência que desperta no ser que ama, necessita aprisionar-se para assim existir? Este sentimento nobre, chamado amor, difere de egoísmos que se instalam e mascarados em relações geram dependências e doenças que seguramente atrasam o aflorar e o exercício do “Conhecimento”. Sábia é a criança, que somente abre os braços e recebe a vida e o amor.

Tatiana Sobreira

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Carta para meu amigo

Achei o texto tão apropriado a tantos e tontos ou sóbrios momentos que modifiquei algumas linhas e decidi compartilhar os meus pensamentos e conflitos.E quem não os tem? Conforme a máxima Bíblica diz: “Que atire a primeira pedra...”
Se estes servirem, aplique-os com bom senso ou sem senso....


Ser tachado de louco por não ter um comportamento trivial, é natural em toda e qualquer sociedade, seja ela contemporânea ou não. Agora ser louco e alienado, contra as suas vontades, sua fome de saber e extrapolar barreiras, é perder-se na vida e aniquilar-se mentalmente.

A mente é a única forma que liberta as pessoas das doenças que foram semeadas no decorrer da humanidade. Einsten, fora singular em afirmar que, “... maior que a bomba atômica, é a explosão dos pensamentos” (amo esse cidadão do mundo). Franklin fez uma co-relação entre velocidade da Luz e a sapiência do cérebro. Cristo menciona sobre a ociosidade e não ociosidade mental traçando um paralelo com a vigília mental.

Do ponto de vista humano, estudiosos e importantes cientistas, perderam-se na curva do Rio do Conhecimento, deixaram-se envolver por conflitos existenciais e profanaram a beleza das indagações. Ofertaram disciplinas de vários cursos acadêmicos com conteúdos pragmáticos, onde alunos transforman-se não em formadores de sonhos e idéias, mas em estereótipos robóticos, para futuramente serem deuses do famigerado capitalismo, do dinheiro e também escravos do poder que possuem. Como se tudo isso fosse o cerne de sua existência, resultado: - não se importam com quem está ao seu lado ou com as pessoas que sofreram o efeito cascata de suas ações.

Vivemos como se fôssemos dominós empilhados prontos para abater os próximos dominós. Somos pedras de um jogo matematicamente calculadas e aceitas por todos.

Quando sai de minha pequena cidade no interior da Amazônia pensei que poderia ousar juntamente com a fome que dormia dentro de mim. As pessoas somente olhavam e admiravam o contexto externo, no que me transformei, mas para mim, tudo absolutamente tudo, queimava por dentro.

Convivi com minhas diferenças, meus fogos, minhas indagações. Busquei em livros respostas para esta fome incessante que era meu eterno acompanhante desde a minha primeira e curiosa lembrança. Busquei fora demais e dentro de menos.

A busca para as respostas que nem mesmo sei bastam para que eu comece a perguntar se encontrei as respostas internas no decorrer do tempo. No cerne de tudo, vale saber que ainda não desisti das idéias de menina e dos meus feitos de adulto.

Observar os grandes avanços em meu coração foi somente o primeiro passo de humildade que ofertei para poder entender a minha grandeza quieta que brotou desde sempre em mim. Tão silenciosa e profunda que transformou o Deus Religioso que a Humanidade teima em ofertar, em um Deus que revela trilhões de constelações nascidas,que gera uma sinfônica na criação de Universos conhecidos e paralelos.
De Um Deus, que prematuramente ainda faz a humanidade caminhar no quesito estudo mental, como se fossemos adolescentes a buscar respostas a agir em arroubos de “meninos” querendo aparentar “gente grande”.

Não há somente humildade em perceber que outras situações são maiores do que tudo o que nos cerca ou o que vem como referência de vida.
Abandonamos, no decorrer da vida, nos traímos, desconfiguramos nossos sonhos, vendemos nossos corpos e mentes por moedas baratas de incertezas e aniquilamos a nossa única liberdade, a de pensar.

Pais que desconfiguram personalidades de filhos fazendo-os parecer uma cópia mal feita dos sonhos derrotados de suas vidas. Cerceando oportunidades de transformação para o mundo, para a ciência, humanidade, social, para o avanço.

Pode parecer um tratado tudo o que escrevi (risos), mas, não é.
É um BEM-TRATADO-DESABAFO.
Quando nos ofertam a possibilidade em conhecer um pouco de cada um, sempre nutri uma profunda admiração por pessoas de intelectos aguçados ou introspectivas. Pensava que era por pessoas, mas, que nada!
Descobri que sou única e exclusivamente, amante da mente insanamente bela e corajosa, que possuo, esta que buscava e exigia respostas em outras mentes.Refiz-me, indaguei, agradeci ao Universo e caminhei dentro da minha dor, das minhas verdades, sozinha (mas, com coragem-risos).

Queridos, sabes que cada um chega no seu momento, busca, no auge da loucura. Não se abandone, coragem, só mais um pouquinho. Quando nos abandonamos o que virá é insuportável. Mas se isso ocorrer, enfrente firme.
A alma às vezes precisa de medicamentos, assim como o corpo.

Corremos grandes riscos em resgatar a nossa verdadeira essência, o prumo das idéias, ou o caos das mesmas. Elas são intransferíveis, não se podem transplantar personalidades, mentes, o eu despedaçado ou refeito. Pronunciem seus nomes, aqui, na hora em que lêem da forma mais indígena da sua lembrança, dos meus e seus ancestrais e da genética que cada um carrega e daquilo que nasce em nossos corações e mentes. Olhem-se.

A vida tem dessas coisas, é excelente e fundamental, essencial, cíclica, mas que felizmente cruzamos com tantas pessoas especiais, com mutações, que mudam o curso de nossos pensamentos e conseqüentemente, nossas vidas. Na dor da busca de cada um nesta vida louca, sempre esquecemos os que estão a partilhar diariamente sob o mesmo teto a sina de viverem juntos. Não renovamos, não cuidamos, não observamos, não zelamos, não perdoamos e nem sequer paramos para dialogar. Mulheres e maridos, filhos e funcionários, todos esquecidos dentro de um Lar, dentro das escolhas que fizemos e no fim atropelamos tudo. Nos tornamos esquizofrênicos, paranóicos e nem sabemos tratar da doença. A vocação que possuímos profissionalmente, torna-se primeiro plano em tudo. Não compartilhamos mais.

Cuidado.

A vida nos leva para fora de casa, para fora de nossas mentes, do que somos enquanto pessoas, de nossa base que construímos enquanto personalidade, nos jogando de encontro ao que sempre buscamos e acreditamos piamente ser o certo. Criamos mundos externos para nos adaptarmos ao que não sabemos administrar com o coração, na singeleza da alma. Discutimos, ofendemos, afastamos, sem ofertar um pingo sequer de generosidade para com o outro e permitir que este possa caminhar conosco. O ceticismo nos fez ser cartesianos demais, nos fez ser impessoais, anularmos nossas fraquezas para poder assim parecermos fortes e aceitos. Se assim não o fizéssemos pareceríamos sofrer de uma doença contagiosa e conseqüentemente o afastamento de todos. Tornamo-nos status, dinheiro, posições, orgias, e tudo o que advém das vontades de nossos corpos e desejos... Deixamos de olhar para dentro de si e das pessoas, deixamos de ser idéias e mentes, deixamos de admirar o amor e a singeleza da mente das pessoas.



Com amor
Nívia

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

AS CURVAS QUE O MEU RIO FEZ.


A história de todo nortista do interior da Amazônia é misturada em cada curva de rio, cada remada de canoa e caminhada no mato. Para todos nós desta região, a identificação do tempo, da natureza em geral, naturalmente, acontece no dia a dia. Levantar cedo com o cantar dos pássaros. Ou somos nós que cantamos para os pássaros despertarem? Pele curtida pelo sol escaldante.
Até hoje fico pensando que o homem do mato não se dá conta que é um desses seres encantados da Floresta. Fica ao nosso encargo a responsabilidade de manter absoluto segredo não revelar a ninguém tudo o que é e como é. Isso de uma forma natural e não imposta.
Eis um dos relatos entre tantos momentos meus e da minha Amazônia.
O ano, 1987, primeira vez que saí de Codajás sozinha com meus irmãos, sem a companhia dos nossos pais, para curtir férias em Manaus. O Barco de linha (forma que é chamada as embarcações das nossas estradas de águas) permanecia mais na “carreira” (local onde são feitos reparos dos barcos) do que sobre as águas. A estrutura, o casco do barco era de dar dó. Sem mencionar a potência do motor, uma tristeza. Geralmente a estrutura era de dois andares. Habitualmente um barco de linha, à época, que fazia escalas em Tefé, Coari, Codajás com destino à Manaus levava em torno de quatro a três dias para fazer o percurso. O Barco que fomos, chamava-se “Capitão Monteiro” um toldo e meio, em torno de 80 passageiros, sem escalas, saiu de Codajás. Tempo de viagem, era uma cartola de mágicos: nunca ninguém sabia ao certo quando, como e se chegaríamos!

As águas do Rio Solimões, como todo rio da Amazônia além da beleza, representam perigos para quem navega. Antes de continuar a história, demixe-e contar. Só para vocês terem idéia, próximo a cidade de Coari, havia um “rebojo”, fenômeno que ocorria devido à proximidade dos barrancos, ou do desnivelamento do leito do rio. Todos que iam para o município ficavam apreensivos, pois no momento em que as embarcações atravessavam este percurso se não tivesse experiência e calma do prático (quem fica no leme) era engolido em um rodamoinho gigantesco. Conseqüência, tragédias: naufrágio e mortes.Uma destas e tantas outras tristes histórias foi no ano de 1982. Um barco que veio de Tabatinga (Fronteira do Brasil com a Colômbia) com uma tripulação de mais ou menos 150 passageiros com mais de 12 dias de viagem entre escalas em municípios e beiradões, passou nesse trecho próximo à Cidade de Coarí. Naufragou e morreram mais de 80 pessoas. Os que se salvaram, por sorte em botijas de gás, guarda-roupas. Ainda tenho gravado na mente imagem de corpos boiando e descendo com a correnteza em frente a minha cidade, Codajás. A imagem que guardei,também, foi a de vários turistas que estavam na embarcação que naufragou, subindo as escadarias de minha cidadezinha, gritando e lamentando a desgraça. Por estas, quando sempre viajávamos, nossos familiares redobravam a atenção.

Eu nunca conseguia dormir a noite.
Ficar acordado representa espetáculos noturnos. O céu da Amazônia parece que engole nossos pensamentos. Quando a tripulação dorme, um frio de rachar os ossos surge juntamente com a madrugada. A velocidade dos barcos de mais ou menos 40 km/h, aumenta a sensação desesperadora do frio.

Voltemos as férias.
Todos naquela noite de Dezembro estavam dormindo, quando por volta das 23h subi no toldo da embarcação e fiquei deitada no assoalho do barco contemplando aquele céu. Sabe amor a primeira vista? Pois. Este é meu caso eterno com as coisas da Amazônia. Aquela visão, o céu, as estrelas, a mata, o rio, eu, meus pensamentos... Dormi e despertei com o odor característico quando estávamos próximos de chegar à Manaus. Um cheiro de fábrica de café, o cheiro do porto do São Raimundo, da Feira da Panair e do Mercado Grande. Movimentação intensa como de costume, detalhe, nos meses de Dezembro, Janeiro e Fevereiro quadriplicam: férias da curuminzada.
Logo nos primeiros raios da manhã estávamos em zona Manauara. Todos eufóricos para a “nossa diversão”( afinal de contas, sem nossos pais) por conta e responsabilidade em tudo o que fizéssemos. Depois de atracar, colocavam pranchas para que descêssemos do barco, muita calma nessa hora. Perigo total!
Mas sempre a figura do nosso querido amigo, o “carregador”, figura imprescindível nos portos da Amazônia levavam as nossas bagagens rumo aos táxis. O nosso carregador era o Pará. Famoso no porto do Mercado Municipal. Criou a família toda com o ofício. O contato dele com minha família surgiu desde quando o pai do meu Pai era vivo, ou seja, além de carregar os filhos do meu avô ele hoje carrega até minha sobrinha neta de quatro anos de idade. O Pará, senhor de extrema confiança e bom humor com seu famoso bafo de pinga, nos deixava seguros e confiantes de que nunca seríamos assaltados.
O Centro da cidade, principalmente a escadaria de Manaus zona portuária, possui um número de bebuns, ladrões, prostitutas e biscates em meio a tantas pessoas que desembarcam oriundas de lugares variados da nossa Amazônia.
Quando íamos em direção da casa de nossa Vó, já estávamos eufóricos. Só o fato de entrar naquela casa, com o cheiro característico do lugar que carregaremos para toda vida, uma mistura de ração de aves, sementes, e passarinhos. Voó adorava passarinhos.

Corríamos para a sala, onde sentávamos na varanda da casa na Avenida Major Gabriel, no segundo andar, para olhar os carros passarem. E os devaneios acompanhavam cada um dos detalhes das nossas vidas, tanto que ao retornarmos para nossa cidade todos corriam para perguntar como era a vida de adolescentes na capital.
Este breve momento que compartilho com todos os que lêem este blog somente é para aproximá-los de alguns detalhe bons ou não da nossa querida Amazônia, do meu pequenino e gigantesco mundo: meu País Amazônico.

Solo de momentos generosos, tantas histórias, tantos mistérios, tantas paixões e amores.
Acrescento uma de minhas poesias que reflete minha infância.


INFÂNCIA

(escrito datado em 25.07.07, Manaus-Am)

A minha casa era assim:
Dois andares, pátio, colunas e pastilhas amarelas
Quintal, pintos, porcos e gerimuns
Tudo fedia.
Mas tinha,também, alegria

Tinha Mucura,
Que corria à noite atrás das galinhas
E meu pai, ia à loucura!

Tinha meus irmãos, quanta gente.
Tantos sons.
Tantas canções!!!
Rádios, vinis, banda!
Meu pai teve até um cinema e boate também!

E a turma do 13?
13 casais amigos inseparáveis!
A turma do POP?!!!
Jovens e adolescentes que se intitulavam “Guerreiros pós Ditadura”.
Se misturando entre pais, adultos, crianças e as travessuras.
Quanta comida, política tamanha fartura.

Tinha também minha escola.
Lá, não tão bonita!
Com inúmeras brincadeiras
Era viva!
Corria sem medo e com segurança
Cantava os hinos Nacional, da Bandeira, Independência....Tão independente.
Essa era a “Minha Infância”

E nela também tinha,
Brincadeira de gente grande
Que machucam corpos pequenos,
Tão assustados, serenos, passivos e humilhados.

Com sonhos perdidos e a realizar, que ao deitar
Juntava as mãos em oração,
Querendo um dia um perdão,
De um Deus que não via,
Mas sabia que sempre A veria
E seria o Seu Juiz.
Ah!
Eles hão de ver!
Essa era a “Minha infância”

Às 05h da tarde, entre os esportes da quadra Methon Alencar
Suava e gritava em frente ao Solimões e se divertia.
Às 06h da noite, pura magia!
Sentada num telhado a chorar e a contemplar
Uma natureza passiva
Somente a tudo observar, a sentir o todo até onde os olhos podiam, com lágriams a enturvar!
Oh! Céus!!!
Tudo está perdido?
Será que somente eu sinto?
Eu na “Minha infância”?
Querem destruir estas crianças,
Natureza menina, cunhatã serena, curumim solar?

Espera a lua e as estrelas, sonhando um dia em sê-las e em seu mundo poder participar.E no palco quem sabe, ser uma estrela a brilhar
Ah!! Esta é a “Minha infância”, de menina de beira de Rio,
Preparada para brincar!!!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010











Sai daí, Tio San!

Fico pasma com a cretinice e cara de pau de certos americanos, que insistem em dizer que somos, um povo totalmente alienados das coisas de nosso País. É de se admirar o que eles pensam e o juízo que fazem de nós Brasileiros.
Méritos sejam dados a carreira do talentosissímo Obama, hoje presidente dos esteites, mas, que fique claro que ele não é e nunca será, presidente do mundo. Que cuide do que é dele, e que alguns americanos, cuidem do que lhes pertencem.

A Amazônia é, e sempre será do BRASIL, e nós dela bem cuidamos e queremos cuidar. Oxalá, Deus nosso Pai, bem sabe, as lutas de tantos em prol desta e de tantos povos aqui deste país. Mas, isso é um exercício natural de melhoria continua dos povos, que é o que queremos e defendemos em sua maioria, para que todos tenhamos progresso com dignidade. Somos sabedores de tantos que causam a destruição com desmatamentos, exploração de nossos minérios, exploração de nossos povos, uso indevido da terra, desvalorização de tantos talentos, má conduta perante tantos atos, que aqui não caberiam de tão extensa a lista...Mas, somos um País que busca melhoras, tanto, que causa incomodo em seu crescimento economico, em nível mundial.

Hoje estava editorando notícias à serem veículadas em meu programa de rádio, quando recebí um e-mail da sobrinha do meu querido e nobre amigo, Eliakin Rufino, grande professor, compositor, letrista, poeta, músico de Roraima, defensor das coisas do Brasil.Pensei: -"NÃO PODEREI DEIXAR DE BLOGAR!"

Segue abaixo o texto no qual assino, em todas as letras aqui digitadas por ele. Bem vindo meu amigo! Compartilhem comigo desta indignação!


"EUA X RORAIMA

Caros amigos e amigas do Brasil e do Mundo:

Circula na Internet um texto que pretende alertar todos nós sobre a iminente invasão norte-americana em Roraima, em busca de (pasmem!) PETRÓLEO. O autor do texto, ou os autores, após algumas informações superficiais colhidas sem critério numa rápida visita , atestam a atual ocupação e anunciam para breve a invasão total de Roraima.

O tema central do texto, essa previsão mirabolante e doentia, já causa espanto pela demência, pela paranóia e pela cara de pau. Com certeza, meus caros amigos e amigas, esse texto é de autoria do resquício mais nojento da ditadura militar no Brasil: a extrema-direita. Não esqueçam que foram eles, os ideólogos da extrema-direita, que divulgaram recentemente que nos livros didáticos dos estudantes norte-americanos, a Amazônia aparecia como de propriedade mundial. É aquela velha paranóia da ‘internacionalização da Amazônia’. Eu pensava que essa canalha já tinha se recolhido. Foi no colo deles que a bomba do Rio Centro explodiu. Eles sempre foram péssimos com artefatos explosivos, seja uma bomba, seja um texto na Internet.

Em primeiro lugar, é bom ressaltar, que o único currículo do autor do texto é ser ‘pessoa conhecida e séria’. Ora, isso é piada. Pessoa ‘conhecida’ de quem? Pessoa ‘conhecida’ e ainda por cima ‘séria’, aí já é demais. Séria? Pessoa séria escrevendo um texto desses? Fala sério!

Outro dado do texto é que o autor ‘passou em concurso e foi trabalhar em Roraima’. Lá, de repente, o recém-concursado tomou contato com um ‘Brasil que a gente não conhece”. Um Brasil onde ‘é difícil encontrar roraimense’. Ora, a sociedade roraimense é composta por brasileiros de todas as partes do Brasil. Brasileiros como esse autor do texto que foi para Roraima trabalhar, prestou um concurso e tal. Brasileiros que encontram em Roraima um lugar digno e bom, bem diferente da falta de oportunidades, da pobreza e – muitas vezes - da miséria na qual viviam em seus estados de origem.

A multiculturalidade de Roraima já rendeu até uma classificação dos seus habitantes: os roraimenses, que são aqueles que nasceram lá e amam sua terra; os roraimados, que são aqueles que não nasceram lá, mas foram pra lá, gostaram, adotaram e foram adotados pela terra e também amam a nova terra. E, por último, estão os roraimosos, oportunistas, golpistas, picaretas e abutres engravatados que foram para Roraima se dar bem, explorar, sugar, depredar e sair falando mal.



O autor aponta a diversidade cultural e a sócio-diversidade roraimense como responsáveis pela ‘falta de identidade com a terra’. Pena que o autor do texto só conversou, de acordo com ele, com ‘engenheiros, pessoas do povo e vendedores ambulantes’ . Tivesse ele visitado algum espaço cultural, teria tomado conhecimento do Movimento Cultural Roraimeira que grande contribuição prestou na construção da identidade roraimense nos últimos 25 anos. Quem quiser saber mais sobre o movimento basta ver o documentário Roraimeira – Expressão Amazônica, de Thiago Bríglia, exibido para todo o Brasil em 2009, na série DOC-TV da Rede Brasil.

O autor afirma que todos são funcionários públicos em Roraima. Inclusive ele, o autor do texto, que se diz aprovado num concurso para trabalhar em Roraima. Por que essa pessoa ‘conhecida e séria’ não chegou para trabalhar na iniciativa privada? A Economia roraimense é parcialmente movida com o dinheiro dos funcionários públicos porque fomos, durante 47 anos, o Território Federal de Roraima, área de segurança nacional, onde todos os empregos eram federais. E esse papo de que ‘não existe indústria de qualquer tipo’ é mentira, maldade e desinformação. Existe a Federação das Indústrias de Roraima – FIER – responsável atualmente por milhares de empregos.

As reservas indígenas, que o autor do texto parece odiar, é racismo mesmo. Um estado como Roraima, onde vivem 10 povos indígenas diferentes, precisa demarcar essas reservas para garantia da integridade e da sobrevivência desses povos. O autor revela total indignação de que o tráfego na rodovia BR174 seja suspenso durante a noite ‘para que os índios não sejam incomodados’.

Para falar a verdade, meus amigos e amigas, eu não sei como esse texto pode convencer ou impressionar alguém. Desculpem, mas ‘bandeiras americanas, inglesas e japonesas hasteadas nas entradas das reservas indígenas’ é doença mental. Se os índios falam sua língua nativa e outra língua é porque vivem na fronteira. Os que estão próximos da Guiana falam inglês, os que estão próximos da Venezuela falam espanhol. E até os habitantes de Boa Vista, que passam férias em Margarita, arriscam um portunhol.







O que causa espanto maior ainda é o no final do texto o autor afirmar que ‘saio de Roraima com a certeza de que em breve o Brasil vai diminuir de tamanho’. Ora, e o concurso que ele passou? E a oportunidade de ter, finalmente, um emprego digno e viver numa cidade linda? Será que ele ficou com tanto medo assim da invasão norte-americana? O que foi que ele viu em Roraima que saiu correndo e alertando a todos nós sobre o perigo da guerra?

Como sou roraimense e passei toda a minha vida convivendo com esse discurso colonizador e racista, sei exatamente o que pretendem os seus autores. Responsabilizar os índios pelo atraso Roraima, ajuda a esconder os verdadeiros responsáveis: os corruptos, os ladrões do dinheiro público. Inventar uma possível invasão norte-americana, mascara a invasão que está sendo feita por maus brasileiros que trabalham na extração criminosa da madeira e nos garimpos ilegais.

Os norte-americanos, meus amigos e amigas, já invadiram há muito tempo. Com os filmes, os livros best-seller, a música, o hambúrguer, o hotdog, a coca-cola, o jeans, o american way. Invasão norte-americana em Roraima em busca de Petróleo? Conta outra.

Eliakin Rufino."

sábado, 5 de setembro de 2009

ALMA BRASILEIRA





Marco Bosco, Tatiana Sobreira, Paul Vastola, Chico Pinheiro, Diane Reeves, e Oscar Castro-Neves.(Da esquerda para a direita).
Mais uma vez, de tantas e em tantas experiências anexadas a minha trajetória profissional eu zoneio, norteio este poste em meu blog. Quisera eu, em minha linguagem simples aqui apresentada, sem ou com concordâncias a discordar até, em sua estrutura gramatical, somente esperando pretensiosamente, que vissem e sentissem o que vivenciei.

Em minhas andanças no Norte de meu país, tive a feliz oportunidade de conhecer cantos, textos, pinturas, artesanatos, oralidades, cores, raças diferentes e singulares, culturas de um país rico na arte do amor.
Conhecer, estes talentos e formas de tantos rostos, gostos, sons, preferências e expressões me fez crer que todo um universo conspira sempre, quando emanamos do fundo de nossos pensamentos e escolhas, propósitos direcionados a contribuição de um bem maior, que é o de, a cada dia que se passa fortalecer o comprometimento gerado de si, para aquele lá para um mundo melhor, que no final das contas, somos nós mesmos.
Falo para você sobre alguns dentre tantos, que aqui os cito:

Cordas e Barros em Rondônia, um grupo belíssimo de sons orgânicos, com cordas e uma bela voz de uma negra linda na capital Porto Velho, quadros lindos e escritores sensíveis, o povo sofrido da estrada de ferro Madeira Mamoré e a epopéia nesta construção do tão sonhado escoamento do ouro da Amazônia em ditos áureo tempos em que se acreditava que sua cor branca, a hevea santa borracha, extraviada e enviada a outros solos do mundo, somente roubaram sonhos e um futuro que se acreditava que seria o que foi por um curto espaço de tempo deixando marcas em solo Amazônico a amargar em sofrimentos.

No Amapá, o Mar a baixo, com sua dança afro e batuques de um Brasil primitivo e um povo silenciosamente distanciado do restante de um Brasil que desconhecem a forma bela de ser do macapaense.

Em Roraima Eliakin Rufino indomável feito um cavalo selvagem defendendo a sua poesia, sua música, juntamente com Neuber Uchôa, transformando uma capital de conflitos históricos por brigas de terras, para um povo e de um povo que são os próprios donos de tudo, o nativo brasileiro.

Aportar no Acre com os conceitos e sincretismo de uma religião singularmente brasileira nascida de uma tradição indígena, casada com a negritude de um brasileiro maranhense, Raimundo Irineu Serra que firma o nascimento da primeira e única até o presente momento, religião brasileira, o Santo Daime, sem mencionar, no contemporâneo e desbravador, saudoso e aguerrido Chico Mendes, defensor das paragens e do povo da floresta vindo a óbito por sua bravura indiscutível.

Do ritmo cadenciado do Paraense, com seu carimbo e aparelhagens modernas, fazendo um estado ser rico em sua expressão musical em diferentes tempos sejam eles de um Pará antigo ou atual.

Do meu tão delicioso estado do Amazonas, com a poesia de caboclo que vem do Rio Andirá, a ressoar nos quatro cantos do mundo ao consagrar entre tantos escritos seus, o estatuto do Homem, deste homem do ontem e do hoje, sem distinção de cor, raça ou querência, unificando um tão esperado propósito maior, que é o da convivência pacífica para a humanidade, a palavra se faz em Thiago de Mello e em suas atitudes.

Sonoridades das entranhas da Mata com os sons criados e gerados precisos, de Celdo Braga e sua tão singular poesia e composição orgânica a embalar gerações de ponta a ponta neste solo amazonense e mundial com ventos favoráveis sempre para o bem maior, o da convivência pacífica e verdadeira.
De Rita Loureiro que impressiona com quadros belíssimos, nos engrandecendo enquanto admirados da bela arte brasileira. Tantos e tantos que aqui vai minha lembrança dos que passaram em meus sentidos aqui imprimidos dentro de meu ser.

Agora, tenho a oportunidade de falar de tantos outros que ao longo de minha trajetória como uma brasileira vinda de uma pequena cidade ribeirinha da Amazônia, conhecer, conviver com tantos que somente os ouvia, e os lia, em minha salinha ou em meu simples quarto a ouvir e cantarolar suas composições e obras.
Estive na terra do Sol nascente, sem que esta terra soubesse que o sol do lado de cá, mesmo nascendo mais tarde, permanece num futuro de sonhos iguais.
Naquela terra, tive a honra de conhecer músicos que fizeram a história do Brasil, em ritmos e sons únicos.
Airto Moreira com sua mágica forma de ser em batucadas ligeiras e ferozes, a reproduzir em sua brancura de pele o original suingue africano em suas veias. De um Menino chamado Oscar Castro Neves que nunca envelhecerá, pois dribla o tempo com sua qualidade musical e arranjos precisos feito um menino entre suas peraltices. Na voz de rouxinol de Leila Pinheiro, afinadíssima e de uma interpretação que nos prende a todo o momento. De Marco Bosco e sua percussão mais Amazônica seria mera coincidência, pois carrega uma natividade advinda das entranhas da mata. De um dedilhar mais brasileiro nas mãos melodiosas de Paulo Calasans. De uma profundidade sonora os acordes de Marcelo Mariano, contrastando com a brancura de sua pele e sensibilidade brazuca. Todos de uma singeleza, feito os nascidos da arte e respirando o universo musical brasileiro e mundial.

Agora me encontro em Los Angeles a finalizar mais um projeto.
Desta vez com a mesma turma e mais uns talentos brasileiro: Chico Pinheiro.
Chico de Luciana, que tem o Chico e que tem a Lu Alvez.
Chico que trouxe Edu Ribeiro, com suas baquetas e jeito de galã das oito. Mas com uma impressionante velocidade em sua performance.
Chico que me trouxe Paulelli também, com sua doçura e musicalidade identificados em um perfil de mais um amigo, Fábio Torres.
Muito me honra em conhecer também uma das divas da musica jazziana, Diane Reeves. Com sua doce e poderosa voz de negra, que nos faz adorar cada vez mais a Deus. Sim, Ele existe.
Ainda a mencionar Max de Castro, Simoninha, Yutaka, Bob Mintzer, Ruriá Duprat, Cézar Mariano e tantos que trabalharam em cinegrafia, engenharia de Studio musical e staff, e a adorável Thais Staut com seu click preciso em fotografia...
Como duvidar de um futuro que não se tenha desejado e esperado? Somente acreditar fazer sem medo.
Um dia o meu querido amigo Celdo Braga me disse algo que guardarei eternamente: “Tatiana, no dia em que você estiver dentro da música, nós poderemos te proteger”. Levei um tempo para entender, mas hoje eu o sei.
Creio que nunca ela esteve fora, sempre esteve dentro, hoje ela esta dentro e fora de mim, estou protegida de fato. Ouçam os passarinhos, ouçam os sons, ouçam a sua música, sua sonoridade...
Boa viagem!

Com doçura,
T.So.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

UMA AMAZONIDA NO JAPÃO






Quem está de malas prontas para embarcar no dia 21 de Abril e fazer seu primeiro evento internacional, é a radialista e apresentadora Tatiana Sobreira, que fará parte da produção de um grande show dividido em 06 dias em Tokyo no Japão além, da gravação de um documentário sobre a Bossa Nova no exterior.
O evento é em continuidade a comemoração ao cinqüentenário da Bossa Nova, que desde 2007, vem sendo produzido no Brasil e no mundo inteiro em comemoração a data, relembrando os consagrados nomes da música brasileira e seus seguidores.
Os Shows iniciam a partir do dia 26 de Abril em umas das casas de Jazz mais importantes do mundo, Blue Note, que abre suas portas para receber Oscar Castro Neves, figura importante da Bossa Nova no mundo com o show intitulado “Brazilian Songs & Stories- A Bossa Nova Celebration” com Marco Bosco, Paulo Calasans, Marcelo Mariano e Participações especiais de Airto Moreira e Leila Pinheiro culminado na gravação de um cd ao vivo. (link do evento http://www.bluenote.co.jp/jp/sp/274.html )

A Bossa Nova ritmo, genuinamente brasileiro, consagrado há mais de 50 anos, também, no mercado internacional continua influenciando vários artistas do mundo da música em pleno século XXI. Alguns álbuns foram lançados somente no mercado Japonês, a exemplo da cantora brasileira Sônia Rosa que em 1971 lança seu primeiro álbum no Japão e logo de cara vendeu mais de 2 milhões de cópias, consagrando a primeira brasileira que mais produziu álbuns no Japão, totalizando 32, que culminaram em uma carreira consolidada em terras asiáticas e 2007 com o lançamento simultaneamente no Brasil, seu último álbum (Brasil/Japão) “Sônia Rosa, Depois do nosso tempo” produzido pelo percussionista brasileiro Marco Bosco, com participações de César Camargo Mariano, Ivan Lins, do próprio Marco Bosco, Oscar Castro Neves, Romero Lubambo e Dj Tarol. A mesma história de sucesso se dá com a também brasileira paulistana radicada em Tokyo, Lisa Ono, que desde 1989 laçou seu primeiro álbum tornando-se a pop star do momento no segmento. Além de 11 álbuns lançados, Lisa tem um selo, Nanã que divulga a música brasileira no Japão. Toda essa movimentação musical é a prova viva que, a verve brasileira sempre permanecerá em ascensão no mundo inteiro.
Em seu primeiro evento internacional Tatiana, afirma que, através desta oportunidade, não somente os profissionais da área de eventos, mas os da área de comunicação em geral irão poder ter uma grande abertura para atuarem de forma variada em suas respectivas profissões. Ressalta também que o mercado Amazonense, é e sempre será uma grande vitrine em todas as áreas da cultura e do entretenimento. Afirma ainda, que levará consigo a certeza que bons ventos começaram a soprar vindo de várias partes do mundo, e que trabalhar com estas companhias é somente o inicio e que outros projetos sobre a Amazônia, até o mês de Outubro, prometem sacudir o mercado local, Nacional e Internacional.

As empresas responsáveis pelo evento são as: Brastel ( http://www.brastel.com/ ), empresa que se consolidou no mercado mundial em telefonia internacional/internet, e da companhia Tupiniquim Intertainment( http://www.tupiniquim.jp/ ) que atua em eventos, produção cultural, selo musical, editora livros, tudo em 7 países, e ainda com o grande evento de cinema brasileiro que promove no Japão (http://www.cinemabrasil.info/fcb2005/CinemaBrasil/tupi/tupi_por.html ).
A importância de mais uma cabocla em eventos internacionais demonstra que a Amazônia se tornou um grande investimento em todos os segmentos, a prova disto é a de que, desde dezembro a Cia. Delta Airlines passou a ter vôos diários de Tokyo à Manaus.

Para Tatiana, “o nosso País lá fora tem mais cara de “Brasil” do que possamos imaginar, com valorização do profissional e devidamente remunerados para executar nossos trabalhos”. A Radialista, diz ainda, “que deixará a imprensa local abastecida sobre todas as movimentações deste e de outros eventos sobre a Amazônia em terras estrangeiras e em terras brasileiras”.
Assessoria: Érika Lima (092) 81474222

segunda-feira, 16 de março de 2009

Dormência….








........Estranhamente o Ano de 2009, figura como um ano singular em todos os sentidos.





O Brasil ferve de novas oportunidades, expectativa e eventos maravilhosos. Manaus pode ser uma das sub-sedes da copa de 2014, resultando num grande avanço em todos os segmentos para capital do Amazonas, sete bilhões que poderão ser investidos em nossa região.
Santa Catarina sofreu com dois tornados, incrível reação da Natureza para que a humanidade abra os olhos. Mesmo assim, não parece ser suficiente para que tomemos consciência do todo.
19 aeronaves que caem em nosso querido Amazonas, e em um destes desastres, heroicamente quatro sobrevivem, em um ato diria que, divinal. Fiscalização e controle de embarque? Que nada! Creio que já vi este filme. Embarcações que vão a pique. Fiscalização e controle de embarque? Ratifico, que nada!





Entre tantos e tontos casos, o ano de 2009 inicia com duas sextas-feiras 13, das quais, a última trouxe um presente mórbido, fúnebre.
Algumas pessoas marcam em nossas vidas e servem de incentivo para que sigamos o caminho que acreditamos ter nascido e do qual chamamos de vocação. São pessoas e situações que ligam o nosso interruptor interno do querer ser em missões isoladas que atingem multidões.
Histórias de pessoas que fazem o curso do dia-a-dia na humanidade mudarem e estas sempre contam como tiveram outras que a fizeram mudar e incentivar para que continuassem a despertar e transformar o seu mundo e conseqüentemente o de tantos outros.





Neste post eu cito um destes homens. Se não fosse por ele também, eu não estaria aqui como profissional. Explico. Aos 11 anos de idade eu participei de um concurso de música e tive duas pessoas a me apoiarem e que escreveram comigo esta canção. Dois tios, irmão de minha Mãe. Geraldo Adailson e Manoel Aprígio..... Começa a despertar a minha paixão pela música e arte de forma diferente, uma fome de ter sempre todo este universo para sempre em minha vida.
Na sexta-feira, 13 de março de 2009, as 15h, deixou de existir neste plano, o meu querido tio Aprígio aos 47 anos de idade. Falece de câncer, doença maldita que chega a galope e sem data para ir.





A história deste homem que aos 16 anos de idade dasafia a família em um município que na década era o preconceito em si, decide fazer de um sonho a sua vida....Torna-se a revelação do médio amazonas em música. Cantor de grande talento e uma vida entre carisma e sonhos...
Os que a ti amaram Aprígio de Souza, permanecem dormentes, entorpecidos pela dor ainda. Mas a saber, que, estás onde for nesta passagem a continuar sua maestria no cantar para tantos.
Quero também continuar a falar em meu blog sobre pessoas e ações da nossa querida Amazônia. Pessoas assim, feito meu querido Tio, que de uma forma ou de outra contribuem para que os dias de todo ribeirinho sejam mais leves e recheados de esperança. Que cada um de nós amazonidas, possamos sempre caminhar acreditando, mesmo com dificuldades, que tudo pode ser e mudar para melhor se caminharmos juntos.





Que todos nós sejamos os faróis para tantos, neste país chamado Amazônia. Que ribeirinhos e urbanos manauaras não percam o foco de sua raiz e do que ela representa de fato. Digo não somente a estes manauaras, mas a todos nativos da região Amazônica.
Quero agradecer ao colega colunista do Jornal Do Comércio, o senhor Ramiro Farias Moreira, que dedicou o seu último artigo à minha pessoa. Do qual me deixou muito feliz em saber que esse pequenino espaço é lido por tantos e de uma forma ou de outra há uma identificação patriótica.
Ressalto que o título do artigo de Ramiro, me fez pensar “Amazonas marca que seduz...”
Falo a todos que os seduzidos por esta terra, tem que prestar atenção em seus encantados, os nativos desta região. Sempre direi e defenderei as inúmeras formas de desenvolver potenciais humanos e matérias da nossa pátria Amazônia, solo rico e pessoas diferentes. Oxalá nosso Pai, proteja aquilo que saiu do controle de nossas mãos.





Desta forma queridos leitores de meu blog, obrigada por tudo e pelos estímulos a minha vida para que eu continue esta saga na área da comunicação, ofício este que amo e que do qual não mais me desvinculo.





Boa sorte aos tantos nomes e ações isoladas.
Não parem. Eu não desisti. Mesmo em estado de dormência, busque fôlego onde há, no nosso pulmão chamado Amazônia. Cada um de nós, somos glóbulos deste imenso corpo Amazônia.
Cuidemos dela.





Força! Precisamos de nós, precisamos uns dos outros.

Com amor.....





  • Deixo o que escrevi aqui como um sentimento deste dia....



Tarja Preta
14.03.09

Remédios controlados…..

Tarja preta, que se enegrece em nossas vidas
Tarja preta, que nos dopa de toda dor
Controlando o incontrolável no desespero deste nosso terror.
Tarja preta me controla, por favor


Tarja preta, alivia-me pelo amor de Deus
Apague minha insanidade dessa Senhora que chegou
Apague as vestes dela, que sou um mísero e péssimo entendedor.

Entorpeça-me com teus efeitos
Desfigura minha emoção,

Eu desarmo os meus controlados instintos descontrolados em sua Tarja preta, enegrecida de todas as minhas emoções.

Tarja preta, que caminha com a Senhora.
Enlouquecida dor, mande-a ir embora, salva-me com teu golpe surdo do esquecimento
Salva-me Tarja preta na fuga de seu controle
Por hoje eu tomo uma bolinha, amanhã Tarja preta te tomo mais,
Vou deitar Tarja preta, sobre o efeito do teu funeral.


Tatiana Sobreira