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Quem escala cérebro, não precisa de montanhas


Por que escalar montanhas se eu tenho meu cérebro para escalar?

Quero, sim, escalar. Quero subir no meu cérebro.


Quero mergulhar nas minhas células.


Nadar junto com as bactérias, meus vermes, fungos, vírus e saber do que eles são feitos.

Sendo uma parte do que sou, eu sou eles. O que me habita é o que me compõe.


Quero nadar em mim para descobrir novos oceanos.

Quero conhecer a viscosidade de dentro, por dentro.


Toda a minha água infinita e lubrificada de vida e infinitas conexões.


Quais são os meus limites?

O que meus órgãos, a minha parte interna e escura, dizem?

Como eles estão com o tempo?


Quero poder dialogar comigo em pedaços minúsculos, invisíveis e acessíveis somente por mim.


Quero ouvir os sons de dentro, se movendo, ajustando, cedendo, permitindo, transformando, sendo, atuando.


E, em cada parte escura por dentro, chegar à sua cor natural com os olhos de fora.


Que micro será esse que se expande sem parar?


Provar meu sangue, beber a minha bílis é saber qual sabor me constitui, mas sem precisar aquilo que o define.

Qual seria a minha composição? Em quais notas musicais eu soaria?


É preciso navegar no meu intestino por vez e, em cada curva, saber como ele se alimenta e me alimenta.


Me esquentar na vermelhidão do meu sangue é pintar meu corpo do tom de dentro e bombardear meu coração incansável para manter o que está por fora.

Dentro, eu me adenso, misturo, junto, separo, arrumo para poder acenar, em detalhes, o que carrego agora.


São faróis que desentopem minhas artérias, que dormem na maciez da minha carne, músculos, gordura e ossos.


Travo um diálogo constante com minha saúde, doença, e acompanho de perto a regulação e regeneração na cura ou na rendição do meu corpo.


Agora eu tenho leveza quando chego no meu cérebro e quando me deparo com algumas lembranças.

Sentar com elas, conversar e ouvir cada detalhe de uma memória em desuso, e explorar as que estão escondidas por milhares de anos, é o caminho de acesso e mudanças no meu “DNA”.


Não quero escalar montanhas.

Quero descer dentro de mim.

Quero me habitar.

Isso atende ao início do meu processo de vida eterna!


Quem escala cérebro, não precisa de montanhas!


Por Tatiana Sobreira



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