Às 5h da manhã, o relógio mais parecia a fúria de um rinoceronte entrando no quarto.
Levantar cedo para exercitar o corpo e a mente representa uma sentença para quem habituou-se com a preguiça e o sedentarismo.
O sedentarismo é bicho cativante. Envolve o corpo numa teia de moleza que escorre pela alma.
Por outro lado, ter disciplina é um eterno "guarda de plantão" pronto para a punição devida.
A arte e a disciplina, embora pareçam opostas, são forças complementares. A arte com toda a sua liberdade, cáos, expressão e emoção, acomoda-se perfeitamente nos métodos, constância e reflexão da disciplina.
As duas forças juntas faz surgir um caminho onde a minha criatividade não se restringe ao impulso caótico, mas na construção consciente, equilibrada e conectada com a solidão.
Cada músculo, cada gordura, cada gota de suor, infinitas horas e dias que se dobram com amor.
Anos de preparação num processo que exige toda dedicação de quem um dia viu seus dias serem abandonados e tranformados em noite eterna.
Todo ciclo finda e se faz dia novamente. O amanhã tem pressa, vem ligeiro ao nosso encontro. Mas a sabedoria, serena, não nos faz reféns — nem do tempo, nem de si mesma.
O que é melhor e necessário sempre se encaixam no despertar de não mais precisar dele.
O não precisar nunca mais de fugas nem de desculpas para deixar de se dedicar a si mesmo.
Um amanhecer sem o som do despertador é tão revigorante quanto uma noite de sono sem remédios.
O farfalhar dos lençóis torna-se mais macio e perfumado quando a mente aprende a se cuidar.
O autocuidado e o amor-próprio são tão necessários quanto a convivência diária consigo mesmo.
Desejo que tenhamos momentos mais íntimos, para que olhemos de perto o que projetamos e tudo o que ainda há de vir e construir.
Por Tatiana Sobreira

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