Enquanto estive na cela, diariamente, pela manhã, deparei-me olhando pela janela com nove pássaros presos em gaiolas . Naquele sobrado à minha frente, observei também o algoz dos passarinhos, que andava de um lado para o outro, alimentando-os com sementes que não semeiam nem almas de defuntos. Quando ele não se aproximava de suas vítimas de asas cortadas, ou estava manipulando e circulando em torno dos prisioneiros, eu olhava de longe e sentia os pássaros dando voltas dentro de suas gaiolas, agoniados, aturdidos, como se estivessem ultrapassando as fronteiras da loucura e, sem sentido, giravam em torno de si, como se estivessem em transe ou em algum delírio acima do normal. Quebrada por dentro, me vi pássaro preso, de asas cortadas, e refém de homens que criam pássaros e suas gaiolas. Ao ver e sentir aquilo, pareceu-me tantos outros em privações de existência. Lá, eles não podiam bater asas, não podiam voar, não podiam ter ninhos, sentir as asas abertas, caçar livremente, procriar ...
Amazônidas existem. Sou comunicadora e artista da região norte do Brasil. Gratidão por passear aqui.