Por que escalar montanhas se eu tenho meu cérebro para escalar? Quero, sim, escalar . Quero subir no meu cérebro . Quero mergulhar nas minhas células. Nadar junto com as bactérias , meus vermes, fungos, vírus e saber do que eles são feitos. Sendo uma parte do que sou, eu sou eles. O que me habita é o que me compõe. Quero nadar em mim para descobrir novos oceanos. Quero conhecer a viscosidade de dentro , por dentro. Toda a minha água infinita e lubrificada de vida e infinitas conexões. Quais são os meus limites? O que meus órgãos, a minha parte interna e escura, dizem? Como eles estão com o tempo ? Quero poder dialogar comigo em pedaços minúsculos, invisíveis e acessíveis somente por mim. Quero ouvir os sons de dentro, se movendo, ajustando, cedendo, permitindo, transformando, sendo, atuando. E, em cada parte escura por dentro , chegar à sua cor natural com os olhos de fora. Que micro será esse que se expande sem parar ? Provar meu sangue, beber a minha bílis é saber q...
As mãos ficaram tesas . Os dedos paralisados. A composição do cenário deu o tom que viria. O trovão soou bem distante. Faltavam sete minutos para iniciar o temporal. As cadeiras rangeram com força. Nao suportariam a ventania. Os olhos vidrados e cheios de vazio denunciaram a ausência. Corpo partido, teso, e alma escondida estava adoecida desde o primeiro choro. Espelho quebrado e sem serventia. Temporal faz isso. Encontros são assim, nos dão a medida que precisamos para aprimorar ou se perder de vez sem nunca ter encontrado o caminho. Caminha até a porta e a rajada de vento surpreende aquele que nunca presenciou chuva forte fora de hora. Relâmpagos cortam o céu. O trovão ficou mais forte e falou alto aos ouvidos: “Tempestade à vista!” Ser forte é necessidade e nunca escolha. Escolha é para quem tem mais que um par de meias. Assim caminham os olhos vazios. Para que existem o brilho decidiu fica na escuridão!? Não está fora, mora dentro, é interna a agonia! A chuva desa...