As mãos ficaram tesas . Os dedos paralisados. A composição do cenário deu o tom que viria. O trovão soou bem distante. Faltavam sete minutos para iniciar o temporal. As cadeiras rangeram com força. Nao suportariam a ventania. Os olhos vidrados e cheios de vazio denunciaram a ausência. Corpo partido, teso, e alma escondida estava adoecida desde o primeiro choro. Espelho quebrado e sem serventia. Temporal faz isso. Encontros são assim, nos dão a medida que precisamos para aprimorar ou se perder de vez sem nunca ter encontrado o caminho. Caminha até a porta e a rajada de vento surpreende aquele que nunca presenciou chuva forte fora de hora. Relâmpagos cortam o céu. O trovão ficou mais forte e falou alto aos ouvidos: “Tempestade à vista!” Ser forte é necessidade e nunca escolha. Escolha é para quem tem mais que um par de meias. Assim caminham os olhos vazios. Para que existem o brilho decidiu fica na escuridão!? Não está fora, mora dentro, é interna a agonia! A chuva desa...
Às 5h da manhã, o relógio mais parecia a fúria de um rinoceronte entrando no quarto. Levantar cedo para exercitar o corpo e a mente representa uma sentença para quem habituou-se com a preguiça e o sedentarismo. O sedentarismo é bicho cativante. Envolve o corpo numa teia de moleza que escorre pela alma. Por outro lado, ter disciplina é um eterno "guarda de plantão" pronto para a punição devida. A arte e a disciplina, embora pareçam opostas, são forças complementares. A arte com toda a sua liberdade, cáos, expressão e emoção, acomoda-se perfeitamente nos métodos, constância e reflexão da disciplina. As duas forças juntas faz surgir um caminho onde a minha criatividade não se restringe ao impulso caótico, mas na construção consciente, equilibrada e conectada com a solidão. Cada músculo, cada gordura, cada gota de suor, infinitas horas e dias que se dobram com amor. Anos de preparação num processo que exige toda dedicação de quem um dia viu seus dias serem abandonados e tr...