Um dia, eu estava sentada na calçada da minha casa em Codajás, e um amigo que estudava com meus irmão mais velhos aproximou-se e veio jogar conversa fora.Esse amigo era esse tipo de prosa.
Em cada olhar dirigido a mim, cada corpo que se apresentava, pareciam páginas reviradas e repletas de episódios de folhetins.
Todos truncados e inacabados por ininterruptas fugas e terror das próprias vidas.
Um palco em penumbra e bastidores de invenções.
Correndo de tudo e de todos eles nunca esconderam nada. Fugindo de todos expuseram-se ao perigo e flertaram com a loucura.
Histórias com coadjuvantes e sem ator principal, entregues a uma platéia de chacais sedenta por sangue novo.
Enredos que contam detalhes de uma perseguição sem fim e rumo a uma perfeição que nunca existiu.
Tudo o que foi exigido trajou-se da imperfeição para poder lucrar as migalhas nos bastidores do caos.
Histórias que foram somando e se apresentando de uma forma inescrupulosa. Sem pedir para ser aceita revelou várias facetas de verdades ocultas que assombraram até os defundos do abandonado cemitério da cidade.
Expuseram a fragilidade, fracasso, agressão, perdas, silêncio e alucinação. Tudo o que estava arpisionado no espelho foi quebrado pelo próprio reflexo angustiado e aflito. Não sobrou nada, além de uma armadura oca e sem vida.
E naquele grande encontro com o vazio, na vastidão da imensidão do escuro, encontrou solo prometido.
Tudo mais passou a ser preenchido por uma clareza e entendimentos nucan antes acessado. O sol ardeu por dentro e se fez luz no firmamento do pensamento.
Após a explanação do meu amigo, o silêncio ficou feliz e a tarde mansa, na beira do Solimões, presenciou o autor compor a sua mais nova obra.
Uma produção com um novo conteúdo pacificador, repleta de abraços e agradecimento pela escuta.
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