Tensão
Choque.
Correria.
Desnorteados.
Medo.
Inveja.
Incerteza.
Dúvida.
Desconfiança.
Superficialidade.
Arrogância.
Prepotência.
Deslealdade.
Vergonha.
Solidão.
Dor.
Humilhação.
Descaso.
Frieza.
Ignorância...
Não quero ser mais um espaço de garotos e meninas que não tem um aniversário para comemorar ou um mundo para brincar de playground.
Se apaixonar pela vida é um exercício dos melhores encontros, então em cada canto, um olhar triste ou um sorriso meio sem jeito, eu estarei.
Apaixonar-se por pessoas e espaços fazem o corpo suportar todas as informações e comandos para nossas pernas e olhos, assim, poderíamos abrir bocas e mentes
Não quero mais os garotos e meninas perdidos em festas sem sentido e diálogos sobre pernas, corpos, maquiagens, transas não transadas, fantasiadas e relações sem sentido.
Os sexos discutidos cheios de ilusões com cabeças covardes que não aproveitam os pequenos detalhes de quem dorme e acorda ao seu lado.
Não quero mais um "eu sou" ou "ela é", sem o "eu e você somos mais do que todo o restante".
A minha religiosidade morreu quando o buraco que foi aberto para o meu sepultamento não cabia mais a minha natureza de dentro e de fora.
Ouvi longe uma canção que falava sobre a pele mais deliciosa a ser tocada e olhada pela multidão.
Andei e corri para encontrar a sofreguidão que nunca irá me abandonar bem longe das mãos dos sovinas letristas da mesma canção.
Bebi o meu "poison"eterno que circula sem cessar em minhas veias. A transfusão eu mesma fiz em minha boca de animal cheia de instinto de bicho.
Minhas pernas tremem e escorrem suores por cantos secretos do meu corpo.
A chuva cai sem parar em cima dos meus dilemas e lavam a minha carnificina assassina com pena e tinta vermelha. O meu medo secou.
E novamente perguntam se meus amigos ainda são meus amigos.
Não tenho mais aquela leve certeza, daquilo que um dia sequer habitou dentro dos meus rins, sobre o que será de todas as escolhas e de uma identidade única chamada "gloBESTIalização".
Falsos garotos e meninas que não sabem mais brincar de cabo de guerra e mexem seus dedinhos que não passam de espectros aprisionados em redes sociais.
E eu não tenho mais a certeza que me fez apócrifa do meu santo e que ainda nem existiu, na escuridão tatear fica melhor e o nojo que sinto na alma escorreu pelas minhas mãos e boca.
Minhas narinas suportam qualquer coisa agora.
Sou tão semelhante neste sorriso sem nossa presença que até durmo horas sem o menor remorso das dívidas que o Brasil carrega e todas dentro de mim.
A relva do meu avesso é mais prazeirosa do que o lado escarlate do teu coração cru.
Prefiro muito mais as canções que esquecem de cada um e doam para todos, do que a que nunca foi dita em nome de alguma promessa não cumprida.
Nada tem liberdade dentro de um acorde. Já nasceu Livre.
Sou mais canções em mim do que eu mesma nas canções.
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Leveza.
Amor.
Ternura.
Felicidade.
Perdão.
Generosidade.
Sorriso.
Plenitude.
Legal.
Amizade.
Gozo.
Coito.
Mover.
Determinação...
Por Tatiana Sobreira

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