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         A R . . . .

"O toque de recolher soou às 4h.

Abri os olhos, que dor de cabeça terrível! 
O barulho da sirene, a falta de alimento, tudo incomodava e dava uma vontade de vomitar tremenda.
Havia adormecido em cima dos meus braços e nem havia percebido. Que cansaço.

O odor do local já não incomodava mais. 
Olhei em volta. 
Escuridão.
A nave estava próxima  do planeta. Do que sobrou da terra. 
Vê-la daquela distancia, cinza e não mais azulada, dava saudades dos bons tempos da azuzinha. 
De onde estávamos não podíamos ver o caos que ficou lá embaixo.
Chorei.
Ainda podia sentir o cheiro do mato. 
A chuva molhando meu corpo.
O sol morninho queimando a minha pele de leve.
A cerveja gelada refrescante.
O vento em meus cabelos.
O cheiro da grama e da comida no fogo.
A risada da criançada...
E depois: a destruição em massa.

Tudo foi muito rápido. Não levou mais que 15 dias para a destruição total.
Fechei os olhos e vomitei sem parar no balde que estava próximo.
Levaria tempo até habituar-me com aquela ração.
Todos ainda passavam mal com o espaço, a comida, a dormida e o ar. 
Chegar na lua e ficar por lá não nos dava ânimo, mas era o que tínhamos como lar.
Mais de cinco bilhões haviam morrido.

Do pouco que sobrou, aqui em cima, era necessário para repovoar qualquer planeta. Seria uma árdua tarefa para os cientistas e trabalhadores, que incansavelmente, estavam operando em várias frentes de trabalho para poder dar seguimento a vida do pouco que ainda tínhamos.

Precisamos destruir para ver o tanto que a ciência, a pesquisa e as grandes corporações escondiam da humanidade. Estávamos tão avançados em tecnologia que nem sequer tínhamos noção das colônias que habitavam dentro e fora da terra e que foram criadas e em parceria com outras civilizações.
Destruímos tudo.
Tanto para poucos.


O mesmo filme que vimos, e foi descrito em livros ao longo da nossa existência na terra iria repetir-se onde quer que estivéssemos. 

A humanidade é escavadora e destruidora do que quer que seja e por onde passar. É da natureza humana.

Triste ver, que por dentro, nunca seremos melhores em escala menor ou maior.
O individualismo e o empoderamento do homem se tornou sua pobreza: destruímos  o coletivo.  
O que veio a tona foi a mais temível de todas as ameaças: a aniquilação.

Eu sou uma das tantas pessoas que sobraram para fazer esquecer a desgraça que foi viver os últimos dias e daquilo que representamos. Aí que tá: esquecemos facilmente tudo. 
Será que o recomeço é tão necessário como é o aprendizado?
Quando aprenderemos de fato?


P.S: são devaneios de um futuro que não quero contar!
Sobrará alguém para fazê-lo?
Tenho dito
Por T.S.

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