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AS BADALADAS NOTURNAS DA VIDA


Não sei, ao certo, como foi que aconteceu.
Disseram que nasci mulher
Condicionaram-me a tal
Eu caminho sozinha isso sim
Tão em meu mundo que não admiro mais, nem sequer, um riso e o medo de um normal.

Fiz tantas coisas bobas,
Tantas mentiras tolas,
E eu fui ficando sozinha,
Na minha,
E fui indo, chorando, 
Fui rindo....

FOI LINDO!

Hoje resta-me eu, e minhas histórias
Minhas vontades que foram exercidas, pesaram contra mim
Tornaram-se a minha maior representação
Julgaram-me e condenara-me.
Só porque tentei mostrar o que sou.
E eu acreditei na condenação e na culpa por muitos anos.


As pessoas não gostam de circo de horrores, mas amam estar presentes neles.
Na hora do vamos ver, todos correm , e eu fiquei.

Hoje sou uma ex presidiária de valores.
Tantos preconceito,
Tantos preceitos
Tanto santos e deuses a apontar em minha direção.

Bestas, 
imbecis, 
Bípedes hipócritas.

Nem toda a tempestade do mundo lava as suas bocas e línguas malditas e tortas.
Nem a sucção de aspiradores-de-pó e vassouras, limpam estes cérebros alijados e condicionados do tempo.

Sou sim uma Profana,
Mundana e coisa qualquer.
Sou até humana, e, deixei de ser aquela dita mulher.

Assumo a minha decadência e minha demência,
A ruptura do bom senso com o senso qualquer.

Sinto-me Lata.
E sei que sou, e sempre serei, ingrata ‘a própria gratidão.
Sim, sou marginal não assumo mais a postura de serviçal.

Sou culpada por ser
Sou culpada sim, por me mascarar, por vergonha, medo ou valores hipócritas, em tudo o que fiz.
E eu: querendo esconder pra ser aceita, eleita como a perfeitinha da perfeição.

Sou porca.
Torta
Sem rejunte.
Sem "armengos", resenhas mal feitas ou diagramação.
Sou a própria imperfeição perfeita.
Nesta eu fui a eleita.

Não, não foi nojento.
Fui eu, e hoje estou sozinha.
A chuva fina que cai lá fora
Sempre me vem com uma força bruta
Que me devora.

Feliz?
Pra que isso na vida se sigo sempre com ela por um triz?

Já morri faz tempo e foi logo ao renascer.
Caminharei morrendo sempre e me refazendo enquanto crescer.
E o que me resta a não ser continuar sendo e praticando o meu EU?
Em Tatiana, Sobreira é indecente.

E, seguramente, nunca mais deixarei de pertencer a mim e o que me sobrou, azedamente Sobreira.

T.S.

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