Pular para o conteúdo principal

Rio



Por muito tempo escondi palavras,
Economizei canetas e tintas.

Por muito tempo acorrentei  músicas. 
Por um tanto assim de desafios, eu me dei conta quanto deixei adormecida as minhas águas que teimavam em brotar sem parar.


Por um tempo eu as deixei represadas e sem forças.
Por um tempo eu as deixei sem tempo.

Agora correm firmes, fortes e rumo ao Mar.
Rumo 'a terras áridas.
Fazem até correntezas.
Quebram represas.

Correm sem cessar rumo 'a horizontes onde palavras não tem vendas e nem tendas.


Não pedem tempo alheios pois do seu tempo já tomou conta.





Minha voz, agora, ecoa novos sons. Limpos e graves.
Voltou a ser o trovão de outrora. 
Não amordacei mais a boca, não adoeci os meus olhos.
Dei um tempo pra mim de presente.
De tanto chorar eu os limpei um a um os buracos entupidos de minha sujeira. 
Estavam tão turvos, imundos, corrompidos.







Agora,

Transbordaram Rios profundos.
Sabem, também, ser rasos e afogar neste rio-mar de águas doces e salgadas, todas as maldades, a ausência do pecado, do ato, do trato, e, doa atos a si.
Quanta animalidade, anormalidade e somente é.
Aqui no natural o humano que corre com a pimenteira nos olhos transpira em ardências.

Deixar fluir o meu Rio, para lavar as pimentas secas e vermes, é excitante.

Descer para o oriente, rumo ao Sol nascente, renova.

Eu, meu Rio, mochilas e rio sem limites.

Um dia cruzei oceanos, mas hoje eu ainda Rio.
Eu ainda sorrio de mim e de minha fluidez.
Abandonei a flacidez da vida e dos estômagos.
O meu Rio quando encontra as margens no fundo, irriga por dentro mundos.
Dei água para a natureza que aqui se aquecia e queimava.

Eu ainda sorrio das lágrimas que nunca me abandonaram.
Hoje dou um descanso 'a elas.
Dei a elas o Mar como descanso, e não mais Rio e descaso.
Se é pra ter Sal, tempero-me



Por muito tempo, muito tempo,  havia deixado de ser eu.
Por muito tempo, muito tempo,  havia deixado de ser Rio.
Hoje sou Mar.
É um excelente dia pra morrer.

Bela Morte aos que, ainda, sabem Viver.


T.S.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O autor

Um dia, eu estava sentada na calçada da minha casa em Codajás, e um amigo que estudava com meus irmão mais velhos aproximou-se e veio jogar conversa fora. Sempre gostei de diálogos longos que mexessem a minha cabeça revirando meu cérebro. Esse amigo era esse tipo de prosa. No meio da conversa ele lança umas frases meio soltas e sem nexo, o tom quase gritando e exasperado.  Quem passasse pela frente da minha casa, olhando de longe, a conversa mais parecia um palanque para a vida dele ou um bate-boca. Disse: " Eu quero falar sobre a repetição da vida. Sobre a minha confissão, fantasia, imaginação...  Um caso que não é autoral. Eu apresento agora a distorção de histórias vividas ao meu lado, um plágio de dores, um exorcista de destinos. Inúmeros personagens abandonados pelo meio do caminho.  Um perturbação repleta de ausência, negligência, mais outro caso não autoral. Em cada olhar dirigido a mim, cada corpo que se apresentava, pareciam páginas reviradas e repletas de episód...

2024- afinal, finais!

2024- afinal, finais! Ano findando, tudo indo, tudo caminhando.  O que foi plantado vai fluindo e o que foi colhido, investindo e desfrutando. Agora seguimos adubando e replantando, para novamente criar, planejar e renascer.  Em meio a todo esse processo nasceram aprendizados com reflexões, inúmeros agradecimentos e outro tanto de promessas cumpridas, esquecidas e ainda aquelas que foram deletadas e até as que foram transferidas para um próximo ano.  Resta-nos uma certeza repleta de firmeza, com atitudes precisas e a força de boas vibrações. O 2024 também foi cheio de novidades, desafios com velhas e novas amizades, grandes parcerias e excelentes oportunidades. Foi um ano também com perdas irreparáveis, ganhos significativos e novos caminhos até então não sonhado e trilhado. Caminhos que foram se cruzando, desbravados. Estradas foram retomadas grandes parcerias certas foram firmadas e aplicadas. Um ano de contratos e proteção. Foi um ano onde a Amazônia contou a história ...

Ser Artista

O que é ser artista? Eu tenho algo em mim Que não foi parido ou inventado. Nasceu com raízes profundas e tem vida própria. Se move em todas as direções, não tem rota. Algo que acorda, não dorme.  É feito panela de pressão E com um rosário de ideias incontáveis, não se acanha diante do não. Dizem que ser artista é não se vangloriar quando a dificuldade vai embora. É um permanecer consciente da privação que molda diferenças cria belos e grandes aberrações. Ser artista é não ter medo do que nos acomete e nem do espelho. É sorrir e vestir a provocação saber que, o que sobra, são olhares de indiferença, assombro, "pertencimento" ou admiração. Como forma de blindagem da palavra, atitude e emoções ser artista é ser autêntico e não adotar a prática do fingimento e da imitação. Ser artista é ser demasiadamente humano, cientista, inventor, divinal e estar presente em todas as dimensões e planos. É não ser puritano e sentir a pureza mais profunda do plano divino e h...