Eu tive muitas vidas ao longo de todas as histórias em epifania.
Perdi as contas de quantas noites e dias. Foram mudanças que decidi viver na carne e de nenhuma experiência quero acordar para lembrar o que não fiz.
Não quero poder olhar para o horizonte e ficar com as memórias amargas como se fossem correntes arrastadas ao longo do caminho.
Em cada uma delas perdi o juízo e as minhas convicções. Perdi a moleza, ingenuidade viscosa da imaturidade e inocência que nos toma por protetora.
Faz bem sentir um abraço forte ou uma mão apertando os nossos dedos. Remetem a força e conexão pela beleza do que ficou ou pela desgraça do ontem e insistência nos erros. Em tudo há milagre.
Ver a guerra da vida nos meus pés e na cor do sangue em minhas mãos recordo o quanto permiti que ocorressem as melhores experiências.
Não calcei sandálias para poder dormir ao relento dos pensamentos alheios. Fui descalça mesmo e com os pés sujos. Sempre gostei da impressão na alma e do meu gosto morando nos corpos.
Não ergui muralharas para as ignorâncias que carreguei durante atitudes de egoísmo e orgulho para simplesmente viver isolada de tudo.
A oportunidade em juntar cada uma das palavras que formaram este imenso dicionário que carrego alimenta todas as etapas em cada lugar e corpos visitados.
Andar, caminhar e beber todas essas pessoas e lugares, desperta sem tempo, para parar de crescer as minhas células que já foram mais fecundas. Agora estão em um processo de semeadura na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte nos una.
Eu conto um canto e caminho nas músicas e lembranças que acordam para a realidade. Elas fertilizam a alma.
Preciso ser grão.
Preciso plantar e fazer crescer a separação do que é o fruto e a germinação.
Tá faltando um pedaço de toda a agonia no fechamento da ilha e arrebatamento dessa sobrevivente.
Mais um nas ondas celular da Rádio+terapia.
Que toda a simplicidade passe pelo entendimento dos mais letrados e incultos, e que purifique os passos vacilantes por onde pisei e dividi vidas.
Hoje renasço em outro corpo.
Silencioso.
Cheio de Vozes.
Colorido.
Nu e sem Vestes.
Amado e amante.
Jeitoso.
Doloroso.
Pelado.
Cheiroso.
Despudorado.
Navegar é preciso!
Por Tatiana Sobreira

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