Muito bem!
Sendo assim, eu passo e saio.
Sendo assim, eu não permito mais.
Pode deixar de existir.
Sendo assim, esqueçam as voltas que o vento fez.
Sendo assim, mais uma tarde de inverno começa a desenhar outros verões.
Gratidão não faz parte do cardápio para ingratos.
Hoje ao ler Clarice reli a minha própria vida contida em nossas linhas de mulher.
É uma Clarice atrevida, nua, crua, transparente e poderosa.
Com um cheiro forte e de corpo delgado.
O sabor dela está para todos, mas nem todos gostam de saboreá-la.
Despeço-me de tudo quando leio Clarice.
Arranco os andrajos de outrora e começo a ter novos insights com pegadas do povo de rua.
Passos apressados e firmes que ecoam em meu coração e direcionam a minha cabeça.
Clarice me deu um trago da sua paixão e a avidez nas suas palavras acendeu a chama viva da liberdade.
Bêbada de tantas leituras acordei inerte e preguiçosa de tanta cobrança.
Com a imperiosa Clarice não tenho mais desculpas para adiar o peso da caneta.
Clarice apressou-me mais uma vez e num gesto de amor profundo estendeu sua mão e arrancou-me do fundo do poço.
Transbordou-me com a sua cabeça de alfinete, e feito um canivete cutucou o meu juízo e retirou a dúvida de tudo que sou.
Com a sabedoria daquelas pessoas que choram e se machucam, ela me fez forte ao reconhecer que tudo em minha vida foi para crescer. Tudo tão necessário como a fome da minhas entranhas.
Clarice me deu um copo d’água repleto de plenitude ao vivenciar o drama e enredo que contém as linhas da minha existência. A dor alheia se tornou a minha dor.
Clarice me fez ser clara comigo e com os outros. Me fez ver que escolhi certo ao aceitar que o amor tem o seu porto de dor e que as amarguras servem de tempero para a vida.
Clarice me trouxe clareza e melhores caminhos para a minha saúde mental e espiritual.
Com Clarice escolhi entender que na solidão de mulher aprendi a andar no escuro de olhos abertos e sem medo. Me fez ver que o diálogo franco e aberto sempre nos protejerá da perda de tempo. Clarice é um farol na hora da decisão.
Clarice, agradeço por sua presença e espírito reluzente em meus dias de escuridão. Obrigada por ser Sol na terra.
Clarice, você estava certa: Amor não mata. Alimenta e traz vida.
Por Tatiana Sobreira
Comentários