O paladar da voz habita (também) na saliva, na degustação, no som, no cheiro, no tato, na intuição e nos cantos mais profundos da boca e do cérebro.
Escorre para dentro como alimento no sentimento do Amor ao
outro.
O beijo ativa todas as cavidades adormecidas do corpo inundando as artérias
com uma enxurrada de energia revigorante, combustível para máquina tão cansada de nada. É óleo para
engrenagens do corpo.
Qual a cor e temperatura do seu paladar?
Qual o melhor fragmento da saliva do outro encontrada dentro de você?
O que germina após a irrigação desses líquidos? É plenitude, felicidade ou entrega dos sentidos
sem reservas?
Uma vontade de surgir dentro da boca do outro em um período que vai se
elaborando, entranhado de desejo, e, quando completo, atitude e entrega.
Aquela vontade que seja transformada em alguma
coisa confusa entre o desejar e o querer. No momento o que importa é o cheiro e gosto na salivação executada, cadenciada,
apalpada, engolida, retribuída e despejada boca adentro. Sendo sujeito em alto
nível na entrega.
Pra que pressa?
Bocas ávidas não obedecem ninguém.
Elas são donas na situação
Pra cada boca o que vale é a urgência dos sujeitos sendo Sujeito e que
podem não querer mais voltar, mas que, finalmente, se dão conta da liberdade e
querer ausentes da capacidade intelectual que inertes e banhados de suor na da química
quente e molhada da entrega não se dão conta do perigo da explosão.
Todas as faculdades são por dentro aguçadas e remexidas, e a curiosidade
inquieta do estranho desejo, feito um passe de mágica é conduzida por mãos
soltas, firmes, sem coerção caracterizando a marca da compreensão íntima de
todos os corpos nessa querer urgente, guloso e engolidor de emoções.
Essa essência de todos os corpos na entrega de forma forte e íntima funde-se então sem restrição. E no passo a passo do movimento cadenciado e que tudo sabe soma-se ao som da vontade materializada e que começa a criar a locomotiva. E de cavalgada em cavalgada findam os corações acelerados, refeitos, em uma possa de suor, na plenitude e quase nascer/morrer da satisfação de um paladar onde a voz habita na saliva.
Por Tatiana Sobreira

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