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A ti




Quando não me entregam à beleza. 
Vou lá e pego!
A surpresa é sempre mais gostosa.


O escuro.
O claro.
O medo.
A ansiedade.
O suor.
O agora.
E saber que fazemos sem parar até dentro de nós mesmos.
Comento e faço coisas que pensei que um dia não faria.


Milhares de pessoas pensam um dia em escrever, ganhar prêmios, ou talvez alguns outros quadros na parede de parabenizações por terem vendido mais que a média, ou por ter feito algo de relevância para um punhado de parlamentares, empresários, doutores, chefes, etc.,  que não tem nada para fazer do que olhar para seus umbigos.

Hoje em dia os espaços ocupados nesta rede tecnológica(?) possibilita que diálogos e temas sejam introduzidos sem atingirem números significativos de leitores. Mesmo assim aproxima quem pode dividir temas que mudam pessoas e situações.


Dialogar com o tempo é se perceber dialogar sem tempo. 

Palavras em livros não contam histórias para quem dialoga com ilusões milenares e que agora tomam proporções catastróficas.
Esta mania de querer ser igual empobrece e embrutece nações a olhos vistos e de forma desenfreada.

Hoje olhei as fotos do passado, do presente e de um futuro óbvio.
Hoje olhei. 
Somente olhei o cheiro que tem tudo isso. 
E como cheira mal estas visões. 
Como faz bem as visões da distância.
Fui obrigada a me acostumar com as que são mais próximas e reais.

Sons maus escritos com canetas e com quase nada de tinta não dizem absolutamente nada para quem decidiu desbravar o pior e o melhor do medo da nossa raça. Permite ao assombrado temporão correr perdido na sala de casa dominado por sua mãe Medusa.

Nesta época do ano em alguns lugares faz sol.
Até a esperança, nesses lugares, sabendo que tem vocação ilusória faz parte das brincadeiras mais otimistas de cândidos sorrisos ingénuos.

Sorrisos de chuva também tem sol e data certa para visitar até o mais rabugento dos imundos.
O sol é sal na hora de limpar esses moribundos. Ao mesmo tempo que contempla suas peles, suspira e tem outras certezas que bloqueiam e maltratam os que querem naturalmente banhar e recarregar suas energias.

Não quero fazer parte da lembrança niilista.
De uma folha.
De histórias.
De um plano mal concretizado.
De “um se pudesse eu faria melhor” de alguém ou de uma situação.

Quero continuar sendo algo que domina.
Algo que não mede esforços, algo egoísta, algo bem de sofreguidão.
Algo meio parido e aflito, algo de chorar, algo de amar e pedir perdão.
Algo de demência e urgência, algo de plantão.
Não quero ser algo certo, algo de porto.
Quero algo vomitado, urinado, com gordura, animal e sem padrão.

Não quero ser a história pronta e moldada, ser a filha esperada, ser um corpo de verdades enumeradas.
Quero ser o filho pródigo mentiroso, aquele inesperado, o que não tem razão.

Quero a agonia do passado, a certeza do presente,
Do futuro que nada espera, que vive sem existir e do agora na contra-mão.

Quero andar sem margem e olhar para frente.
Quero a urgência e a gula da perdição.

Sim, o que me guia, essa alma que explode e destrói.
Odeia controle e formas dissimuladas de certezas e prisão.
Digo sim e não.

Tenho dito

Por T.S.

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