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De um mundo mudo.

Por volta das 3h acordei assustada com o barulho que vinha da sala. 
Levantei sonolenta, tateante na escuridão. 
Olhei em volta e não vi nada. 
Fui até a varanda do apartamento e sentei no banco de madeira improvisado. 
Lá em baixo poucos carros e uma brisa suave. 
Fechei os olhos. 
Como é bom sentir aquela paz ao ficar quietinha. 
Fui até o laptop. 
Já havia passado o sono mesmo...
Abri e comecei escrever.

Não há exclusividade no que irei relatar. Nem tão pouco o que ainda não foi dito.

Novamente fechei os olhos. Meus pensamentos voaram longe. 
Lembrei da sensação da chuva em meu corpo ainda menina na cidade de Codajás no interior do Amazonas.
Aquelas gotas geladas e maravilhosas faziam-me e sorrir de tanta intimidade. 

Paz. 

Paz e felicidade na entrega.

Assim são as infindáveis repetições das experiências na vida com as palavras. 
Tudo é tão somente para ser vivenciado, dito e relembrado para nossos cérebros que necessitam de inúmeras repetições.
Ainda bem.

Quem é você?
Quem sou eu?
Quando o olhos incomodam mais que o coração?
Quando a dúvida é maior que o perdão?
Quando a certeza deu lugar ao medo?
Quando a gentileza ficou refém da ofensa?
Quando o homem tornou-se maior que o outro homem?
O que mede ou valora cada um?
Quando a imperfeição ficou menor que a perfeição?

Desde a primeira hora de vida, minúsculos dentro do ventre, demonstramos o sinal da nossa evolução por meio de inquietações ou quietudes.

São milênios de idas e vindas. De mães e mães.
Até que chega a hora, em que cansados, somos obrigados a baixar a guarda da ignorância, começar a refletir e derrubas as amarras do tempo e dos gêneros e ficar entregues ao mundo de observação. Prática do espírito excelente. 
Educar-se para a meditação profunda e meditar no próximo.

A inércia nunca foi meu forte. Sinto que o corpo adoece até no sorriso.

Confinados, neste grande presídio, o espírito está acuado até o ponto da obrigação em direção ao aprendizado. O corpo é impelido a isso.

Não sei ao certo como explicar. 
Isso nasce com alguns, e em outros, descobre-se com o tempo. Mas um dia chega para todos.

Nos dedicaram o cuidado de alguns que estiveram e estão em nossos caminhos. Destilamos venenos e quem os consumiu fomos nós mesmos.
Bebemos do ego e da vaidade. 
Carregamos manias e vícios que estão impregnados feito chagas abertas do tempo e do treinamento. Eis um dos maiores controles que o homem pode ter: a sua própria ação condicionada de geração em geração e em efeito cadeia.

Teimosos amputamos nossos corpos ainda crianças, sem perceber que repetimos as mesmas tendências de um outro dia e de uma outra era. 
Ainda bem que para todo mal sempre haverá um bem em igual ou maior força,  e que somente muda aquilo que impõe naturalmente a sua própria mudança seja pura e simplesmente ou a força!

São infindáveis “não's” que delegamos como comandantes do cérebro para aprendermos os pequenos e significativos “sim's”.

Das incontáveis vidas que visitamos aqui e acolá, cansados e sábios do sofrimento, redirecionamos nossos caminhos para a postura ideal do corpo e da mente contribuindo para nossa evolução. E os loucos de outrora tornam-se os sábios do amanhã. Tudo faz parte da arte de saber conduzir o ouvido para o “silêncio” e para o seu "verbo".

Vestidos de couro cru nascemos.
Vestidos de couro cru morremos.

O pensamento, espírito, entendimento, alma, etc., adquirirá o formato necessário e natural para esta mudança. Que bom.
O que se quer e precisa de fato, próprio  da doença que carregamos, é um dia encontrar a nossa Cura. Cada um carrega a sua.



Namastê.
TS


Comentários

Pedro Ivo disse…
Olá, Tatiana. Tudo bem?

Me chamo Pedro Ivo. Sou escritor e cartunista daqui de São Paulo. Estou fazendo uma pesquisa para um livro e caí de paraquedas no seu canal (e depois aqui, no seu blog). Gostaria muito conversar contigo, quando puderes.

Facebook: https://www.facebook.com/pedroivo3v14
Email: allkair@gmail.com

Muitíssimo obrigado. :)

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