A perfeição cansa.
A ausência de afeto mata.
A escassez da bondade esvazia, a da maldade empapuça, e a indiferença enlouquece.
Para quem esta cheio de vida a morte passa distante e deixa saudades.
Na ausência dele aprendi a ficar com concepções que pareciam absurdas e perdidas. Elas foram piores do que a incerteza dele em ficar ao meu lado.
As formas deixaram de adquirir grande sensibilidade. As palavras e diálogos se perpetuam em seus lugares, tão ignorantes.
Me fiz emburrecer para poder ficar quieta.
Qualquer movimento é demais quando não estás por perto.
A sua ausência não deixa mais batizar meus instintos.
As pessoas continuam a me deprimir de tal maneira que qualquer olhar em minha direção já sei a palavra que vai sair da boca sem graça. Todos permanecem iguaizinhos.
Dou meia volta e fico.
Dou volta e meia e parto.
Entrei em uma casa que mais parecia uma igreja com tantas imagens de santos penduradas. Era religiosidade demais para pouca fé na vida. Era religiosidade demais para muita morte.
Preferi a solidão que me fortalece feito cadeia no cio.
Não tenho mais as salivas da sua boca cuspidas na minha garganta e lambuzar meu corpo feito um rastro de fogo.
Cada dia estes sons daqui enfraquecem.
A solidão me deu a força maldita de quem tem sede da sua saliva animalesca. Quem sabe talvez eu fique depois da morte?
Quem sabe ainda beba mais um trago seu.
Seu cheiro de caipirinha e cigarro ainda estão tatuados em minha memória.
As brigas e risos ainda me fazem rir sozinha.
Agora meus passos ecoam pelas ruas feito os de um peregrino perseguidor.
Me escondi atrás daquilo que os homens mais amam, a esperança.
Como soa sem ânimo essa sensação. Parece ressaca.
No escuro ela não me encontrará , assim poderei caminhar sozinha novamente pensando no cheiro da sua saliva quente. Ela trás vida.
Todos são o que sempre foram, um embuste.
A sua saliva rega a vida e amolece a morte.
Estas grudado em mim e tem vida própria, não sai e não me deixa esquecer.
Maldita seja essa bendita saliva naquele hotel.
Tenho dito.
TS

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