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Gula.

A manhã acordou quente. 
O sol não poupa ninguém no inverno amazônico. É estranho olhar tanto brilho nessa época do ano.
Os carros, sempre apressados, carregam zumbis que teimam em queimar suas peles de vampiros.
Olhares tão perdidos e mentes desnorteadas geram pensamentos sem foco.
Lá se vai mais uma vez a Luzia tentar pegar o ônibus para chegar cedo no trabalho. 
O dinheiro acabou antes do prazo que não perdoa a vida que não para de cobrar por dias melhores desde cedo. 
Tudo uma fábrica de empresas de fachada. Quem é o verdadeiro dono dela?
O único alimento dessas buzinas é tic-tac do tempo.
Febres em todas as Américas.
A Saúde está na UTI.

Bilhões em desabafos de delatores que correm para retirar o deles da reta. Golpes em casas e apartamentos a vendidos a preços de delações premiadas.
Um balcão de negócios.

Hora do almoço. 
Hora da estrutura de empresas atreladas a partidos que não estão presos. 
Residem em tríplex com nomes falsos, diz o noticiário.
Construtoras com cartas marcadas de sangue azul. Quem suspeitava de tudo isso quando subiam de elevadores?
Nem os zeladores desconfiaram deles. 
Nem os professores alertaram os alunos da quadrilha que foi formada quando os navios aportaram no Brasil e desembarcaram sua carga de pele branca manchada por debaixo de roupas nobres com futuros sangues de inocentes.

Tantos zumbis nas ruas.

Eu simplesmente amo os investimentos desta reforma deformada. 
Eu degringolo quando vejo uma presidente dizer que temos que ter paciência para novos sacrifícios em poucos anos.
Tem pacientes em listas de espera desde antepassados.

Quem precisa de paciência?

Precisamos sim olhar passar em nossa porta e nossos bolsos maquinas e equipamentos comprados em porcentagens bilionárias divididas em linhas de créditos de bancos e empresas relampados. 
E eu ainda tenho que ver foliões.

E a frota de carros aumenta. A dona Luíza não deixou o dinheiro do pão do Luizinho. Ele teve que ir com fome para a escola.

Eu simplesmente amo os dias de nuvem pesadas. Elas aconchegam até a fome.

Tantas pedaladas e ainda estão gordas as contas de meia dúzia de navios.
O "ex-pseudos cargos de poderosos" alertam que o tempo vai ficar fechado. E eu amo o inverno. Só que o Nino passou a perna maias uma vez. Ele aprendeu a surrupiar com os pedaleiros um tempo que não lhe pertence.

Ainda existe salvação para um Deus que dorme até tarde?
Onde irão internar este paciente sem paciência?

Insistem: Paciência.

Os puxas acabaram de afirmar que o tempo será de raios e trovões.
As águas voltaram a colorir nas bandas do Sudeste.
A neve deu trégua no Norte.
As bolsas finalmente deram as caras para os amarelos
A sede é outra por lá. A mesma daqui.


E eu ainda tenho um pedaço de engano da bondade. A minha mão não adormeceu com o tempo. Ficou mais leve com o passar dos tempos. Se fez mais ríspida e precisa com o cair da tarde. Se fez mais tranquila com o anoitecer.

O doutor disse que tenho pulso firme.


Tenho dito

TS

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