O ar quente soprou em meus pulmões sem que eu sentisse o frio.
Meu nariz sempre foi gelado, mas a minha emoção não.
O palhaço riu do meu riso quando chorei de decepção.
A criança deu cambalhota no mesmo instante que sai correndo na
rua e vi a Liberdade se esconder.
Patetadas da vida depois de nova acontece com todos.
Sei que as araras voam sempre em casal. Eu voo solo.
Sempre senti vontade de mim, mas me ocupei em atender
vontades dos outros.
Agora o meu pensamento está tão quente que meu nariz ficou gelado
para muitos também.
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A rua é o palco circense para adoçar a impaciência que carrego.
Sou boa dose de emoção que não mede esforços em caminhar
descalça, por isso, caminho sozinha na lua. Ela olha melhor de lá para
mim do que eu olho para ela.
Estranho demais caber dentro de alguém que não cabe em si.
Eu vivo tão sozinha que me ocupei demais comigo.
Os restos dos animais são mais nobres do que o que deita aqui.
Na minha quietude aprendi que a calmaria é barulhenta e não
para.
Não gosto de meia dúzia de palavras, o dicionário me atrai
mais que gente sem textos e mal humoradas.
São tão pequenos os momentos de amor que eles são gigantes
de emoções aprisionadas.
As estrelas mesmo com seu brilho não ofuscam quem sou e onde moro.
Moro mais dentro de mim. Agora sei mais sobre mim do que uma
paleta colorida de qualquer aquarela.
Eu não tenho mais crises de sofrimentos pelo belo, ele
deixou de ser ilusório e passou a ser esplendorosamente mais que o óbvio e
qualquer tentativa de ser algo melhor.
Palavras morrem junto com palavras.
O silêncio constrói
pensamentos e histórias fortes.
Esses momentos fizeram olhar mais para meus pés e levantar a
cabeça para sonhar mais forte e realizar com firmeza.
O gostoso da maturidade é descobrir que nada morre.
Nem eu!
Tenho dito!
TS

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