Rio com cada um em seu estado de animalidade.
Até os que escondem me fazem gargalhar...
É como se meus olhos fossem os olhos de Deus observando por dentro de cada um deles.
Sou mais humana com esta coisa inventada por nós. Observo com olhos de fotografia clico e filmo cada frame.
Estes milésimos de segundos de imagens registrados são as mastigadas, as palavras, as viradas de olhos, todo e qualquer movimento corporal.
Tudo o que observo vejo que nem sabemos o que seremos ou teremos.
Zero de garantias.
Na mutação do que somos não se pede parada simplesmente avança ininterruptamente rumo a destruição do que um dia fomos e transforma para o que seremos num piscar de olhos.
O universo é veloz.
Criamos muitos barulhos e imagens para ensurdecer e cegar o óbvio com a certeza de que sempre seremos partículas no que há de vir.
O que virá?
O que será?
Tudo será na medida da mutação que adquirimos e nos tornamos.
A genética humana não é o fim da escala ou a última etapa de um grande jogo chamado vida. Somos somente a transmutação de algo maior que este humano.Por enquanto somos assim. O que foi ontem, já foi. O que será, ainda será. Hoje o que somos é o que nos faz ir mais adiante aqui dentro de si.
Mais adiante, este século será o primitivismo de um outro século e assim por diante, até o tempo devorar, com todas as poeiras, todos os outros mundos.
A degeneração celular, a renovação e a preservação das inúmeras espécies será fina, intensa e gradativa. Nada obedecerá uma ordem a não ser a dela própria: Degenerescência Humana.
Este e tantos outros cursos não param.
O dragão da vida é maior que a serpente que carrega a morte.
Ou o dragão da morte é maior que a serpente que carrega a vida.
As células estão mudando.
Eu também estou.
Nós estamos.
Os analgésicos servem para tapear por um tempo o cérebro, as dores...Eles impossibilitam que continuemos na mesma velocidade do tempo para as outras ações deste organismo chamado vida e morte, eles nos tapeiam para que continuemos em áreas do conhecimento prático e não somente o teórico.
A extinção do que somos não será imediata. Nunca será. Pois, das pequenas partículas do que fomos, nós somos e sempre seremos algo mais e não algo menos.
Arte..
Física..
Matemática...
Música..Linguagem...
Tudo.
Somente elevados a décima potência em zilhões de infinitas possibilidades em expansão é um dos vislumbres que poderemos vir a ser.
Solidão não é doença.
Solidão é aliança.
No silêncio dela começamos a adquirir um pouco do entendimento, com paciência, para multiplicar o que descobrimos diariamente.A vaidade, o medo, as emoções...estagnam o conhecimento.
Sentir o conhecer, despertar este processo no conhecer, é poder acessar esse Ser que não se emociona.
Não peço perdão...
Mas estou partindo.
Tenho dito.
TS

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