Parada obrigatória para um cafezinho e diálogo interno:
-Do que resulta o bem e
o mal?
Do que se trata: virtude, moral e valores humanos?
Quem pensa que é este monte de pedaços de carne constituído das sobras da terra?
Que felicidade é esta piedosa que espalha, abundantemente, ações deste camuflador assassino do
araque?
Doença de todos os tempos. Somos a doença de todos os tempos.
Parada obrigatória para uns rascunhos desta doente humana.
Escrevo apenas para um
punhado de leitores e que em algum momento lessem o que traduzi, e quem
sabe, eu pudesse agradar-lhes ou não.
Deste punhado não conheço todos.
Dos que conheço não consegui o meu intuito.
Escrevo então para os
que um dia cruzaram minha vida e que estão sem hipocrisia literal.
Mesmo assim, em textos,
sou tão ou mais hipócrita que a própria literatura nem se fez sombra frente ‘a minha
rebeldia.
Escrevo até para o duvidoso
inferno.
- O que é céu para então
denominar-se o oposto do paraíso? E o que é paraíso para quem vive no inferno?
A ardência, do que queima
em minha vida, vale mais do que viver no emplastro da insondável paralisia do
prazer de parasitas, que nestas "santas carnes" tentam habitar e devorar.
Escrevo para poder não
calar quem está aqui.
Escrevo para a companhia dos que, em becos sem saídas, perambulam e não encontrar neste mundo tão desencontrado
de cruezas as vidas perdidas e mais vidas .
Escrevo com palavras
repetidas, todas que já foram ditas.
Escrevo sem palavras, sem verbo, sem emoção, sem gestos, sem estender
as mãos.
Escrevo com mãos atadas mentirosa, com força e verdade (e que sejam até verdades sem meios).
Escrevo no cair da
noite e no molhar da chuva, para pessoas francas, abertas e que olham nos
olhos e não sejam moscas que pousam em bostas.
Escrevo para pessoas com cheiro de brisa e alma de furacão, as que dormem boazinhas e são os senhorios dos dragões.
Escrevo para monstros: Sou domadora de uns. Se senhora sou, os ensinei bem.
Não sou direita: escrevo
por linhas tortas, vivas e mortas.
Com a escrita perpetuo
as desgraças: minha e alheia.
Em séculos de tintas da
melancolia a alegria, da rebeldia ao amor, do sofrimento e da tentativa em ser
razão, escrevo para dar visão ao ser humano que embriaga-se anotando em cadernetas os seus anos
de solidão.
Do que escrevo até uma
letra vale a pena para alma pequena.
Arrisco e aprecio o
desafio da minha cegueira e visão.
Aprendi a tatear no escuro. Agora corro
dentro dele brincando com o bicho-papão.
Do que escrevo declaro:
-Das
janelas que se fecham e se abrem, não quero girassóis.
Quero que sejam singelas, mas que sejam janelas.
Que abram centenas de outras.
E de tantas outras e inúmeras visões as possibilidades sejam tão infinitas que o riso de ir mais além nunca será uma questão, somente execução.
Escrevo para frente- que se dane o que ficou para trás.
Passou.
Mesmo sem mãos: Escrevo. Apenas
escrevo.
Tenho dito
T.S.

Comentários