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Eu sou Artista.


-A vida é uma maravilha mesmo.
Numa hora temos toda a certeza do mundo, noutra não sabemos mais de nada.
Confiamos cegamente, depois percebemos que foi perda de tempo confiar. E tudo recomeça diferente, mas recomeça.
Nesta deliciosa e bela viagem que embarcamos com uma passagem, um bilhete somente de ida e sem volta, é gratificante.
Aqui encontramos tudo e de todo tipo.


Eu sou Artista.

Tenho alma de artista.
Canto para dar mansidão,alegria, amor, e até a minha voz quando fala, é para dar força: O elixir dos sofrimentos.
Mas isso não é coisa para modismos.
Eu ficarei calada e darei a minha Arte em silêncio.
No meu silêncio cego os barulhentos de forma suave e abrupta também.
Eles precisam rir e chorar com a minha Arte, achá-la ridícula e perfeita.
O que se tornou moda, também, foi os trapezistas dos sexos.
Copiam gemidos dos gemidos, torções das torções, mas o Artista de fato, é impermeável ‘as aflições e perfeccionismos dos praticantes da destruição do belo.
É impermeável ‘as palavras, resiste ao tempo.
Maleável, se molda 'as mudanças de todos os mundos.



Um olhar do Artista, move muitos mundos desconhecidos a quem o ouve, olha, toca e com este convive.
A Arte é o jardim do Paraíso e lenço que seca as lágrimas de todos os sofrimentos, pois dele entende bem, nasceu do sofrimento.

A Arte do Artista ampara e dá solidez 'a pureza que perdeu o encanto para os afoitos.
Sacia a  fome da ganância que ganhou a corôa da supremacia no mundo moderno.
A Arte acaricia a cabeça da fragilidade que se tornou a vilã dos mocinhos e o tesouro dos bandidos.
A arte é criminosa, pois rouba e arrebenta as portas de todos que a absorvem. E uma vez criminosa nunca deixará de sê-lo.

A Arte do Artista não teme a morte.
Na Arte, eu como Artista, cometi crimes, e nem deixarei de cometê-los.
Eles se acometeram de mim e nem sei se me abandonarão um dia.
Sei de algo: A Arte me ensinou a ser só, nada mais eu sei sem ela.
Vi que com a beleza da Arte o Artista que ouve esta voz, está crucificado com este crescimento interno sem fim que desce até as raízes mais profundas, e que apertam os nossos corações,  e nos expõem a nossa nudez.

A Arte no Artista o emudece e moi as palavras e pensamentos, nos amassa e nos deixa bem maleáveis, com o que sobra, nos verte pela boca o líquido que dela mesma dá: a pura Arte
A Arte por si só se basta. Silencia e dá o próprio curso.


Os Artistas exalam poesia em tudo o que fazem e se movem.
A Arte dá coragem e ensina a ser uno nos seus caminhos espinhosos.

Como o ser humano da atualidade é muto afoito e apressado, as premissas e preliminares deixaram de ser importante e passaram a ceder sem graça a aberrações.
Na Arte, a prece do dia a dia é a bem aventurança necessária para adoçar a aridez dos pastos do pensamento cansado.
A impessoalidade dos sentimentos instala-se e gera a busca dos sentidos em outros lugares e formas, no espírito do artista tudo pode e tudo flui.
O pobre humano moderno busca novo “sentir”, banaliza o tempo e desdenha do ignorante e sábio. O moderninho crê que sem a Arte terá um saber. A Arte sabe deste saber ilusório.
A Arte é o melhor saber para o artista, ela não desvia, e se desvia é para dar mais Arte ‘a uma cabeça erguida.

O Artista doa com sua arte o estranho do que é estranho.
Sobrevive aos racionais e ponderados, ela não escraviza feito os que tentam aprisionar o tempo manipulando-o, e sim, busca o mais imediato, mais veloz e o que dá mais resultado,.
A Arte pode ser lenta também, mas quando é veloz é feroz e descomunal. Ela não chama, se apodera do que encontra pela frente. 
O Artista é assim, asas silenciosas que envolvem. O Artista é a Arte que despedaça em sussurros todos os alicerces dos racionais e da praticidade da terra. 

O Artista é a personificação da Arte em vida e em morte.

Tenho dito
Namastê.
T.S.

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