DIÁLOGOS
Homem:
-Venho aqui me apresentar. Talvez por hora nada tenho
a dizer a vós, bela dama, mas a afirmar.
Perdido, caminhei sem nuances de um
momento a prender-me.
Solitário, eu buscava uma simetria em minha vida
assimétrica por momentos incansáveis, e nestes, perdi-me do objeto maior da
busca.
Confuso e cansado, me prostro a vossos pés, e neste gemido que aqui vos
dou, suplico a verter em sangue transparente dos meus olhos, esta dor surda. O que faço com tamanha tristeza, nobre Senhora?
Mulher:
-Ora, meu nobre senhor.
Que dor é esta senão uma
tristeza sem fim?
Se em lágrimas que se esvaem sua dor, é porque deste apenas sofrimentos.
Pois, se a dor é profunda, o riso solto virá e a ironia tomará
conta.
Levante-te.
Caminha.
O que é somente um riso coletivo dos
guerreiros que na batalha cansados da guerra soltam gargalhadas ao avistarem os
seus lares?
Contenha-te, meu nobre senhor.
Deste sangue de lágrimas tão
transparentes, de nada lhes servirá, a não ser , cegar a real existência da vida.
Contemple
a vossa cegueira com a vivência dos moribundos que vagueiam pela vida e nem
mais de lágrimas e risos vive este pobre homem. Somente lhes sobram sarcasmos e risos solto ao
vislumbrar a pseudo fartura de tantos e a escrachada penúria do real.
Levanta a fronte e silencia a vossa dor primária
com a bravura dos que friamente aprenderam na gigantesca queda da vida e na desgraça dos desgraçados.
Se das lágrimas o
riso solto se apodera, do silencio nasce a bravura dos indômitos.
Homem:
-Nobre senhora, então a vós eu peço, dê-me água para
que eu beba de vossa nobre fonte e acalme os meus dias...
Mulher:
-Pedes água, quando dou-te chão para pisares?
Pedes
água, quando dei-te narinas para aprender a respeitar teus gigantes e duplos pulmões?
Fecha a boca e cala-te.
Viver com pouco sempre será a forma de se ter em abundância.
Dei-te um universo de possíveis caminhos em teu interior, e vens com lágrimas
choramingando por mais?
Ingrato e injusto.
Luta e faça por merecer o único
encontro que necessitas: caminhar sem estacas e corrimãos.
Sustenta-te em
tuas pernas e firmado em pensamentos sólidos caminharás na mansidão de teus
dias.
É na aridez da vida e nos pensamentos com conhecimento que suportamos a beleza da dor de viver.
Morra decentemente e recomponha-te em teu lugar
Assuma o encontro da vida com
a morte feito homem.
Pois, de mulher nada entendes, mero mortal.
Quiçá do Humano.
Quiçá do Humano.
T.S.

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