Não aceite exatas.
Não aceite.
Não aceite impositivas.
Não, não aceite.
Não se deite sozinho no ninho.
Não trás calor.
Não, não aceite.
Açoite.
Sou anterior ao “Mar Dulce”
Sou o olho d´água da nascente que arrebentou as entranhas da
terra, para jorrar meu caldo misturado em rios.
Sou a criação da própria Amazônia.
Os historiadores não tocam ou tocarão em mim. Não
tenho fim.
Sou os pés do Curupira que descalços e solto na mata, mesmo
de pés virados pra trás, sabe caminhar no seu natural para frente e todos os
lados.
Sou o vigia que controla a noite solta das matas
Sou o Matinta Pereira do breu uterino da floresta, que pariu
todos os seus filhos sem dar a luz 'a escuridão.
O pajé me ensinou a cantar.
Deu flautas aos meus pulmões e fez misturar entre benzedeiras
e belezuras a minha nascente com sangue frio, quente e com luxúrias.
Sou a deusa que caminha e não tem fim.
Os adoradores e seus altares em lares e na contra- mão do
rio em mim.
Sou o urbano do humano.
O descaso do acaso.
E o Natural aprisionado.
Eu durmo na caverna, saio dela e desgoverno, somente para
revirar os padrões do que ainda nem existiu e do que é antigo e moderno.
No meu vento escuro e solitário,
Sou o próprio uivar nas montanhas e vales escondidos e
contrários
Para bradar tudo o que todos haviam dito.
Sou o silêncio gritante das mentes, e até de vilões e
amantes, mesmo assim, eu Sou todos os guias dos meus dias.
Sou o bem e o mal, eu não durmo na noite.
Caso-me nos açoites, para assim, gozar a vida na agonia.
Se faço a oração das mentes é com elas que durmo e acordo,
entre beijos e esmolas e não entre farturas escusas e contundentes.
Decido: sou gente.
Sou a dor.
Rastejo no mundo animal, cobra-grande, boiúna, iaras, entre
tribos e tribais pra chegar no urbano e aplicar meus suores no conhecimento,
enchaleirando-o, torrando-o e muito mais.
Cozinho palavras em banho-maria
Asso o pensamento
E lambo a poesia
Assim adoço os cegos na escuridão da Mata e dos seus
tormentos.
Do meu trovão aprisionado
Dou o raio das minhas palavras por toda a minha geração
Reverbero a inflexão do meu grito,
Feitos de sons feios e bonitos, e não misturo as estações.
Dou espaço aos meus braços,
Corpos soltos?
Dou canções.
Aprendo com os bichos de peçonha da minha Amazônia.
Bebo o sangue frio de cada um.
Sou o próprio mundo emborcado
A cabeça não tem pernas
E as pernas que tem cabeças estão de pontas para o ar, tudo
revirado.
Os valentes e suas valentias, não ressoam por aqui.
Eu dou o tom dos acordes.
Ajusto o sul e o norte
E desnorteio o fim.
Sou a prática, da teoria ‘a disciplina.
Não sou mulher, não sou homem, nem menino e menina,
Sou humana e ponho tudo assinado do finito sem fim.
T.S.
T.S.


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