"Debruçados sobre a grande colcha de crochê, que mais parecia uma teia social, tamanhas eram as malhas e redes entrelaçadas,ouvimos muitas músicas até chegar neste tempo.
Um: - Ora pois...Um texto com indagações?
Outro: - O que estou fazendo aqui ?O que vim aprender?
Um: - Quais ensinamentos queres adquirir?
Outro: - As pessoas e o mundo vivem lá fora, e eu, aqui
dentro?
Um: - O que tu vives?
Outro: - Em que vida eu me encontro?
Um: - O que isso importa agora? Que valor? É isso que tu
queres: “Valor”?
Outro: - Quem sou e no que me transformei?
Um: - Estás só. Esta é a única certeza que encontrarás na
vida. O resto é somente ilusão. Quem se doa demais aos outros e 'as coisas
externas acabam sendo igual e perde as pernas. Seu fim? Sarjeta e gente ruim.
Depois não adianta se lamentar e chorar. É um aviso, já dizia o sábio.
Outro: Faz tanto barulho por aqui!
Um: - Com quais ruídos vives? Os de dentro ou os de fora? Se
escolhes assim viver, não preciso saber por hora. Mas na sua agonia de barulhos, nem irás absorver a forma. A pior prisão é a de quem não quer se libertar. Um
dia, quem sabe um dia, hão de ler a "Luz dos meus passos", e assim, ficarão
descalços feito eu, que tive coragem de ficar sem pés, com isso, todos silenciarão
perante mim. E perante si, pararão de choramingar os seus mortos. Defunto merece
caixão. E funerais nunca são eternos. Acenda uma vela para a Luz de quem e do que morre. Estes e isto, nos despertam para a vida.
Então: Já sabes quem és?
T.S.

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