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Abstinência poética

Estava abstêmica.
Encontrava-me sem vida.
Estive ausente
Enfada e sem poesia
Um bocado anêmica.


Vomitei Dali e Salvei-me daqui.

Vomitei todas as biles de um corpo cansado
Suado de tanto correr por seus sonhos
Seus amigos e tantas coisas mais.

Agora 
É sentar no chão
E deixar-me vencer.






Parei.
Estou cansada
Um tanto cheia
Febril
Estressada.

Abstinência poética não me trás fartura 
Nem pluralidade nos sentidos e na lógica
Abstinência de poesia não me gera loucura
Abstinência me deixa burra, fraca
Não me ocasiona falas
Falas inteligentes, idiotas
E falas duras.

Abstinência poética me deixa sem tato
Sem trato
Não me faz ver o canto 
Perde-se todos os encantos
Suô sem luz
Nada mais envolve este corpo firme
Nem ele mesmo se seduz.




Que porcaria é esta de abstinência da poesia que dementa?


Vomitei
Vomitei em meu corpo cheio de palavras presas
De falas raras
E de mente acesa.

Depois de tanto vomitar
Estomago, esôfago, faringe arranhados, engasgados de chorar alimentos
Nem o ânus segurou a minha abstinência

A poesia jorrou em todos os buracos, orifícios do meu corpo e tomou ciência.
E novamente se fez morar
Tapou tudo e sentou-se no habitat.

Estou deitada...
Vou tomar uma dose cavalar de poesia.
Feito éguas ancudas em baias frias
Que se ferre o mundo




Pois não tenho tempo a perder com eles.
Tenho mais a minha poesia 
Do que tenho a esperar destes.


(T.S)

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