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Se há crime maior ou menor, confesso, cometi todos. Todos os crimes passaram por mim. Fui criminosa em tudo o que cruzou meu caminho.
O caminho do pensamento, eu ardilosamente fiz um pacto com
ele.
Confabulamos e deixamos vir a tona todos os segredos que a
mente mais abominável despertou e despertará. Nem nos importamos se estávamos
ou não adentrando um terreno que não nos cabia.
Ao inferno os ditames da lei do
pensamento encarcerador!
O que para algumas pessoas, confortavelmente em suas vestes
descentes e pensamentos hipócritas, carregam consigo e sua beatitude parece
absurdo. Nós, eu e meus pensamentos criminosos, tramamos e convivemos
confortavelmente tomando chá na varanda.
Tramamos contra a verdade da ignorância. Tramamos contra o
preconceito santo. Tramamos contra a castidade apresentada por debaixo das saias
descentes de suas puras senhoras.Tramamos por sobre e sob paletós e togas da devassidão. Tramamos até na prostituição de congressos e suas drogas ofertadas em bandeja a quem sentasse na
cadeira do poder ou a quem fosse o beneficiário direto e indireto: NÓS.
Bando de metidos a puritanos. Falsos moralistas!
Rimos. Sim, rimos e choramos, eu e o meu comparsa.
Como pacto se honra, eu confesso sou criminosa, sim.
Criminosa porque, além de confabular e tramar, eu não
satisfeita executei cada crime. Fui autora também de alguns delitos.
Quantos gritos e quantas marcas dei ao meu corpo e mente.
Não satisfeita com as descobertas, quis experimentar na carne. Ganhei algumas
batalhas, despi alguns rostos ditos ingênuos e apresentei corpos podres e
sem moral. Me fiz igual.
Mostrei verdades que caminham conosco. Doa a quem doer. E
doeu. Ah, como doeu. Foram gemidos por anos e anos.
Mas sempre, para cada criminoso e seus crimes, existiram os
babacas dos julgadores.
Julguem juízes que assim se dispuserem. Mas que eu mostro,
eu mostro.
Assumo a prostituição existente em cada ser humano. A falta
de zelo, o medo, o ego, a dissidência do anonimato a este ser naturalmente
criminoso e fatalmente desconstruidor e analítico.
Fiz um pacto, senhores Juízes.
Casei com esta criminosa e ardilosa mente.
E quer saber? Nada de divorcio.
Nos apegamos com o tempo.
Nos tornamos tão unidas que somente eu e esta criminosa
sensação de quebras de tabus, nos merecemos.
Sou ré confessa!
Cometi crimes e convivo com estes.
Prendam-me.
Executem-me, mas mesmo assim, em tudo o que é exposto e arregaçado, lá eu
estarei.
Darwin estava certo- somente os fortes se adaptam.
Meu nome?
CORAGEM O HUMANO COVARDE, O VERME DOS VERMES.
( T. de S.)

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