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POLTRONA VERMELHA- As pressas que as coisas não têm.





Quanta quietude há quando os acontecimentos da vida nos silenciam
Quanta sutileza há em cada toque de sons.
Sons de pensamentos, palavras, tons, risos, lágrimas, vibrações da alma.
Quanto Deus há em mim.

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Sentada na beira da minha poltrona vermelha a olhar para os tantos andares debaixo dos meus pés... Sim...Sim!
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Sim. Sou um símio da espécie fêmea quase um “antropomorfo, antropoide  da espécie humana com frêmitos do século XXI.
Mesmo assim:
Sento-me na poltrona vermelha com pele alva e despida de toda a grandeza que cerca a vida, e coloco-me assim: Sentada em mim.
Olho com poesia esta visão de concretos a rasgarem matas que gentilmente sedem e abrem sem reclamar todos os seus espaços para nós humanos matarmos o nosso natural. A nossa simples forma de calma da alma ofertada, antes com igualdade, e sem requerer o uso para tal.
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Esta constante e inefável necessidade de construir e desconstruir do todo humano poetisa-me.
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Municia a minha mente de horizontes novos.
Fortalece a independência conquistada em minha batalha de vida
A de caminhar outra vez sorrindo na mente e em meu canto da boca.

Aqui na poltrona vermelha eu tenho o sorriso da certeza.

O SORRISO DA PRESSA QUE AS COISAS NÃO TÊM.

O sorriso da disciplina conquistada ao preço de muita dor e perdas e muito amor.
Ao preço de dividas que nunca pensei que poderia quitar.
Devo algumas.
Mas hoje, minha querida companheira poltrona vermelha, eu estou somente a observar.
Aqui sentada no décimo segundo andar a Poetizar

O que é ou não alimento de um eu¿
Alimento de tantos que lamentam tamanhas  desgraças de formigas, de insetos pequenos, e por vezes, somente para desabafar o que nem há.
Somente poetizar.
Somente para ser ouvido, observar
Acompanhado de vozes, atos, olhares.
Somente para não ser só
Somente para movimentar o pensamento e se fazer acompanhar

Eu hoje, sentada em minha poltrona vermelha, observo do décimo segundo instante.
A sinfonia que criei.
Obra imensa, gigante, exultante em cada escala de “uma oitava” equação acima de um infinito que era torto refeito por um infinito que não é mais morto
Passo a passo calo as dúvidas e incertezas do caminho
Faço de mim um ninho e aconchego das minhas dúvidas que até bem pouco tempo existiam.
Faço de mim um segredo: que nos mistérios dos meus acordes soem sinfonias de certezas leves e não breves.
Outrora caminhava agoniada por minha morada,
Hoje faço da minha Senhora de engenho, minha fábrica de empenhos
Não há mais senzalas, nem carrascos.
Somente Fêmea e Senhora dos seus atos.
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A aorta não está morta
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As veias e suas cavidades não se importam mais com as idades
As margens que nunca haviam se separado, hoje no fundo, bolam um mistério que somente a elas pertencem
Escorrem rios com inúmeras vidas, cavando as margens que sustentam o alimento do intento
Rios que as lavam renovando-as. Sangue que circulam sustentam seus glóbulos evolutivos em veias fortes e pulsantes.
A aorta não está morta e minha poltrona é somente vermelha.

Brindo o momento
Brinco com a vida
Senhora do meu tempo
Maestrina feliz, não há mais feridas.
Agradeço ao Indivisível, ao Inominável
Eu vi Deus em mim e ele disse- “Olá querida...bem vida a vida. Não há acaso. Mas da palavra acaso...a caos sem o H”


(T. de S.)

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