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PÁ LAVRA



Estou cansada
cansada de tantas palavras
ESTOU cansada
 as vezes quero o divórcio,outras não
E se ela possuísse um corpo
pularia em cima,  bateria
Gritaria bem alto em seu ouvido para enlouquecê-la
e explodiria sua cabeça com meus gritos.

Deixá-la-ia em pedaços bem pequenos
Que nem ela saberia o que veio a se tornar

Rasgaria todas as suas risadas
da maior felicidade a mais pura ironia
Depois de tudo desconstruído, aí sim!

Eu pegaria estilhaços, pedaços e montaria uns tantos corpos de um corpo
Eu?
Não seria mais nada de emoção em mim...
Só uma escultora do que sobrou

Calmamente pegaria aquele corpo de palavras e montaria: anões, gigantes com pernas e sem pernas, amputados e alguns sepultados.
Deixaria que ela se tornasse feia e bela.

Suas mazelas faria um arco-iris
Cores vivas pintadas em cima de aquarelas mortas
E retiraria todas as suas criações

Seus andrajos e farrapos daria ao primeiro mendigo criado dos restos da vida
E dele faria rei

Do gigante daria uma voz inaudível e um ego grande
Para que as palavras que com ele caminhassem o deixassem sem sentido
Do anão faria um cérebro faminto
Distribuindo com voz de veludo a mais bela poesia e a todos causando espanto e repulsa por sua estatura e estrutura

E da Mulher...
Ah, Mulher!
Daria o silencio e o pensamento
Deixaria as palavras emudecerem-na
Daria lágrimas por dentro
somente sentimento...

Que as palavras (enquanto ela coitada) muda tentasse falar
Com um olhar, somente, parasse toda uma praça, um congresso e uma nação
Multidões...
E que todos ao mirarem, a Mulher muda, nudos deitassem aos seus pés.
Pés desfigurados da razão.

Silêncio!
Lavra.

(T. de S.)

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