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Na mas tê


Caminhamos nus na vida e sem ter um ponto de parada para descansar se quer os pensamentos.
Todos os dias o homem faz uso de sua morte.
Morremos a cada segundo.
Morrem pensamentos e nascem outros.
Da sandice a razão, meu Machado.

Morrem risos e nascem outros.
As gestações chegam ao fim para dar lugar a uma outra vida que acabou de nascer para morrer.
E tudo o que nos cerca, certamente, respiramos na primeira dor ao inalarmos o ar para vir ao mundo.

Buscamos a perfeição por palavras,
Ações
     idéias
         vocação
            família
              trabalho
                    talentos
e relações
         Até em viver,
            e em seguida
              iniciamos
                tudo outra vez
                                      Até morrer.

O organismo chamado vida, chamado terra, pulsa, respira e se agita para renovar-se constantemente. O grande milagre de caminhar com força e determinação está nessas quedas vergonhosas, humilhações e no levantar-se com pernas firmes. As mesmas pernas que até pouco tempo atrás não pareciam suportar o peso das derrotas.

Mas lá no fundo o que morre: é o velho homem que dá lugar ao novo.

O tempo leva os cabelos, a rigidez do corpo, a maciez da pele, a viçosidade e o frescor do andar.
E nos brinda com a calmaria do tempo
Das lembranças inesquecíveis
Das lições partilhadas
Histórias vividas.
E reescrevendo o novo homem silencioso, como um velho rio que segue o seu curso sabendo em que águas devem desaguar.

No fim e na morte tudo tem vida. 

Novas histórias precisam entrelaçar-se para nascerem novas histórias
Novas glórias,
Novas oportunidades de tempos em tempos, para o velho homem sempre ser o novo homem.
E destas transformações 
Com paciência e certezas inabaláveis.
Quem anda com o velho, aprecia ser o novo, seremos cidadãos.

A Natureza é urgente! 
Implacável.
Cada momento com novos olhares
diferentes olhares
outros ângulos para viver e colaborar para novos humanos.

Existem os que acreditam na perfeita flor (katsumoto)
na perfeita vida, 
no amor perfeito, na verdade absoluta. 
Mas o que é a perfeição, o que é a Verdade se tudo o que tocamos e vemos é real e perfeito?

Está nos olhos de quem vê o sentido da morte e o presente da vida.

O milagre da perfeição e da verdade reside em cada um de nós e no mais profundo silencio do Deus interior.

Hoje oferto o calor de uma preleção, a do Amor.
Hoje compartilho a certeza do hoje e do agora.
Hoje preparo-me para o novo amanhã.
Hoje eu morro e vivo, vivo e morro.
O homem nasceu com a arte para se permitir sempre amar.

Namastê.

(T. de S.)

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