Acordo fatigada.
Do lado de fora buzinas não param.
Um galo perdido na urbanidade insiste em cantar sem parar (mais um sobrevivente nesta selva de pedras) parece um despertador de celular.
Tenho que pagar contas.
Contas atrasadas, vencidas e a vencer.
Arrumar a vida para outras investidas e ainda me restam arremedos de coragem dentro desse corpo.
O cansaço mental toma conta.
Retomar tudo mais uma vez e outra e outra...
Cada vez mais é preciso convencer o óbvio. Provar que se pode mesmo sabendo que não pode.
Essa selva de pedras e concretos nos quer diariamente fortes e poderosos.
Os fracos, coitados. Sonambulizados pelo cansaço do dia a dia são tocados pra correr como um bando de baratas tontas. Há uma infestação de tantas baratas tontas neste país.
Aqui, no caos urbano, é consumido em larga escala falsos moralistas, e o bem sempre tem peso dois.
Aqui funciona assim, tens que mostrar que és bom no que faz para não se tornar mais um toque de celular.
Cada vez mais adentro o interior do Brasil.
Por lá (para quem viu, vivenciou e sentiu a frieza dos castelos das cidades) tem um Universo de possibilidades de tocar pessoas com sensibilidade e um caminhar mais sutil.
Calmo feito uma brisa leve, e quando necessário, terríveis temporais tropicais.
Vou escovar os dentes.
Levantar e tomar um banho frio, escovar bem os cabelos.
Maquiagem. Quem sabe assim escondo um pouco do que está visível, minha triste conclusão que tenho que continuar.
Hoje mais e mais palavras.
Sentimentos expostos.
Hoje mais um pouco de mim.
Mais um dia.
Menos um no tempo.
"A saudade é o sal da idade."
"Se as nuvens impedem o SOL de brilhar, eu vou até lá para aquecer meu corpo sem vida, frio, dolorido.
Não é proibido SOLnhar."
"Povo de tanta leitura, para que servem palavras em cabeça dura?"
"Povo de tanta leitura, para que servem palavras em cabeça dura?"
T.S.

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