Palavra que automaticamente denomina: pensar em dimensões descomunais.
Um lugar fantástico e rico em biodiversidade e mistérios.
Meu pai, sábio em seus comentários, sempre cita a seguinte frase: “em terra de sapo de cócoras com ele”. Célebre frase que casa com essa terra.
Exuberâncias a parte, permitir que a Amazônia viva em você para uns é fácil, quanto para outros um martírio. No tocante, as entranhas fazem parecer um emaranhado de caminhos ainda não explorados e a explorar. Sem titubear, um arcabouço de saber infindo.
O dito progresso que a humanidade ambiciona e que desde a revolução industrial é perseguido feito aves de rapina sedentas por suas presas e carniças, é brecado ao adentrar as profundezas da mata. Uma vastidão de informações aos olhos. Tudo é generoso, abundante.
As populações que aqui vivem, não poderiam deixar de ser distintas. Todos calorosos, receptivos e cônscios do seu habitat. Terra que atrai pesquisadores, exploradores, gangsters, migrantes e imigrantes curiosos ou não na busca em desvendar essa Divina Deusa chamada Amazônia.
O principal entrave, consideravelmente, não é o desconhecimento, mas sim as distâncias e vias de acesso. Com melindres confesso confortar-me o pensamento.
Folgo em saber, egoisticamente, que nós “seres formigas”, ditos civilizados, possamos demoradamente adentrar fundo nessa imensidão Amazônica.
Quem sabe no decorrer do caminho, ou morremos ou sobrevivemos para nos ver transformar em senhores de novos pensares, olhares e oportunidades de se viver melhor e como tudo fora um dia e ainda o é de forma simples e sem muitas ilusões?
Nem para mais ou menos. O caminho do meio.
Os eventos que ocorrem em meio à selva nos propiciam um vislumbre do que um dia o Eldorado Amazonida já proporcionou e o que de fato podemos fazer nos dias atuais com consciência, qualidade e zelo no trato sócio-cultural.
Preservar a identidade de um povo não é lá uma tarefa fácil. Pensar e agir culturalmente na Amazônia, um desafio fabuloso.
As imemoráveis lembranças retratadas pelo Cineasta Silvino Santos, de uma Amazônia em seu apogeu do ciclo da borracha e de tantos outros fatos isolados que ocorriam à época é de encher os olhos e o coração de saudades, além de pincelar “vontades” em conhecer o passado e investir na continuidade do viver em “Abundância Amazônida” num futuro próximo.
A descrição do evento a seguir, vale para quem busca conhecer passos do renomado cineasta, como também atividades que imprimem esforço e aprimoramento em vídeo-documentação da Região Amazônica. Eu já agendei minha ida à 5ª Mostra Amazônica do filme etnográfico. Se por ventura estiverem em nossas terras, aproveitem!
De 21 a 27 de outubro, Manaus sediará a 5ª Mostra Amazônica do filme etnográfico. O evento, que tem o financiamento do Programa de Apoio à Realização de Eventos Científicos e Tecnológicos no Estado do Amazonas (Parev) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM), acontecerá no Palacete Provincial, na Praça Heliodoro Balbi, no Centro da cidade.
Segundo a coordenadora da Mostra, professora Selda Vale da Costa, a 5ª edição da Mostra pretende ir além da divulgação de filmes produzidos na região ou de seus realizadores. O principal objetivo do evento é o aprofundamento das discussões sobre a produção fílmica na região e a importância desta memória audiovisual amazônica para o fortalecimento das identidades.
Fórum de debates e oficinas
A mostra contará com um importante Fórum de debates sobre a Memória Audiovisual na Amazônia, com a presença de representantes de instituições como o Museu da Imagem e do Som do Amazonas (Misam), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e também dos críticos de cinema Pedro Veriano e Luzia Álvares, que há mais de 50 anos se dedicam à crítica cinematográfica no Pará.
Será oferecida, ainda, oficinas nas áreas de cinema e antropologia, possibilitando um diálogo mais aproximado do que seria um filme etnográfico e facilitando na região a produção de filmes deste gênero.
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“Desta maneira, continuaremos a cumprir uma meta que se mantém firme desde a primeira edição da mostra: contribuir para a formação de jovens estudantes interessados em aprimorar não somente o fazer cinematográfico, mas também adquirir a sensibilidade de se transformar uma pesquisa antropológica num produto audiovisual”, explicou a professora.
Conferencistas convidados da área de cinema
Nesta edição o evento contará com a presença de vários convidados, entre eles: Claudia Mesquita, professora do Curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisadora de cinema com doutorado pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP); Junia Torres, mestre em Sociologia e Antropologia pela UFMG, coordenadora da Associação Filmes de Quintal e diretora do Festival do Filme Documentário e Etnográfico ‘forumdoc.bh’ e Marco Antônio Gonçalves, doutor em Antropologia, diretor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), autor de ‘Devires Imagéticos’.
A programação contará também com Pedro Veriano, médico estudioso do movimento cinematográfico no Brasil e, especialmente, na Amazônia; Luzia Alvares, doutora em Ciência Política e professora da Universidade Federal do Pará (UFPA) e Joel Pizzini, cineasta e documentarista. Pizzini produziu os filmes: Dormente (2005), 500 Almas (2004), Glauber Rocha (2004), realizado para a TV, Abry (2003), Enigma de um Dia (1996) eCaramujo-Flor (1988). Recebeu o Prêmio Internacional de Cinema da Bahia, por Enigma de um Dia, e o Prêmio de Melhor Filme do Festival de Cinema de Brasília, por 500 Almas (2004).
Minicursos sobre produção audiovisual
De acordo com a coordenadora, além da mostra competitiva de vídeos etnográficos, haverá oficinas e minicursos sobre a produção audiovisual. “Também haverá homenagem ao pioneiro Silvino Santos, nos seus 125 anos de memória entre nós, além do reconhecimento aos 50 anos da criação do Parque Nacional do Xingu com os irmãos Villa-Boas”, explicou.
O evento trará ainda uma exposição fotográfica sobre o povo Waimiri Atroari, assim como na abertura a exibição do filme do Aurélio: ‘Os Índios gigantes e o Brasil grande’, sobre os índios Paraná do Xingu, além de ‘Davi contra Golias’, do povo Yanomâmi.
Sobre o Parev
Esse programa foi criado pela FAPEAM e consiste em apoiar, com recursos financeiros, a realização de eventos científicos e tecnológicos no Estado do Amazonas.
Foto2: Divulgação informações http://www.fapeam.am.gov.br/noticia.php?not=5603
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