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SONS NOVOS DA AMAZÔNIA
Desembarquei no aeroporto de Vira Copos, em Campinas (SP), às 05h50 no dia 13 de Fevereiro, na cabeça somente uma preocupação - chegar o mais rápido possível ao estúdio Cajueiro Áudio.
Há mais ou menos três meses fui convidada para fazer parte de um projeto: gravação do novo trabalho da cantora Leila Pinheiro. Aceitei no ato o convite do Produtor Musical/músico Marco Bosco, que divide a produção do Álbum com o renomado Produtor Musical/músico e arranjador Paulo Calasans. A assinatura? Beleza e diferença, característica do trabalho destes dois profissionais, que aqui não cabe quaisquer comentários sobre o assunto.
Acordamos cedo.
Rumo ao estúdio, poucos metros de onde estávamos hospedados, chega o momento “dos encontros”. O ambiente, uma energia que contribuiu para sinalizar como seria o andamento do projeto. Reencontro amigos, e conheço profissionais das mais variadas aptidões musicais e de produção de áudio/vídeo/fotografia.
O Circo armado faltava somente a nossa queridíssima Paraense Leila Pinheiro com seu talento e alegria de viver indispensável. Ela adentra o estúdio do meio, da Cajueiro Produções de Áudio, feito um furacão e rapidamente passa para o estúdio do lado e começa a cantar sem parar,resultado: quatro músicas no primeiro dia em menos de uma hora. Esta particularidade, para quem já acompanhou de perto o trabalho de Leila Pinheiro, sabe que não seria de outra forma. Leila é ávida, ágil, cuidadosa e atenta no seu ofício. Exímia interprete excelente com a voz e perspicaz na entonação, cantora de fato.
Mais um sucesso garantido pela frente.
As músicas desse novo trabalho, primorosas. Composições de quem sabe com bom gosto e com o coração anunciar sucesso: Nilson Chaves, Ana Terra, Vital Lima, Joãozinho Gomes, Eliakin Rufino, todos compositores e cantores da Amazônia brasileira. Diferença, também, não somente com os arranjos de Paulo Calasans, mas a participação de uma Pajé do estado do Pará, Dona Zeneida Lima que compõe suas músicas em beiradões (margens) de rios e sombras de árvores e desenvolve excelentes trabalhos em comunidades marajoára. O álbum ainda sem título faz a junção dos sons de Leila Pinheiro, Marco Bosco, Paulo Calasans que assinam tabém trabalhos nacionais e internacionais e agora com o Norte do País, pretendem fazer uma fusão de sons originais da Amazônia, um toque de ousadia, swing brasileiro e sons do mundo.
Os outros músicos convidados são: Petch Calasans, tão talentoso quanto o seu irmão, toca baixo elétrico/acústico, sensibilidade sem igual e um humor inigualável, que nos fez adorar não somente a sua pessoa, mas também, a amá-lo com o avançar dos dias; Junior Meireles, grande violonista/guitarrista/cantor, empresta seus talentos e tais habilidades fizeram aproximar-se e tocar com vários músicos nacionais/internacionais dos quais passaram a adorá-lo por sua capacidade e desenrolar na execução dos arranjos apresentados, figura linda e feliz.
A engenharia precisa de Mauricio Cajueiro, onde mixa com seus dedos de maestro o formato de cada um dos talentos. Grande em todos os sentidos. O grande Cajueiro. A sempre presente, Patrícia Bellini, além do excelente trabalho na assistência de som (engenharia) revelou-se uma produtora atenta e presente a qualquer chamado.
Marcos Spirito, produtor que em tudo estava atento com seus “erres”de caipira e até com os lenços para as lágrimas que teimaram em cair durante o emocionantes momentos, grande parceiro de todas as horas.
Sem falar no Fernando, o Peteca, seu clique em todos os lugares e ângulos inimagináveis.
Ao Billy e suas câmeras de vídeo, com sua equipe sempre presente.
Por estas e tantas, acredito no novo tempo da Amazônia. Acredito neste trabalho. Acredito no som do tempo da Leila e de todos nós que de uma forma ou de outra, contribuímos para o processo de criação deste novo filho Pinheiro.
Voltaremos para a segunda fase do projeto no dia 13 de Março.
A novidade que contarei no próximo post sobre este projeto, além do nome do álbum, também será sobre os países onde irão lançar o documentário que fui gravar sobre esta ramificação da Amazônia juntamente com o DVD e o CD.
É um estímulo a arte que nunca morrerá.
Isso sim é preservar a Cultura Nortista brasileira.

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