
2011, UMA ODISSÉIA NA TERRA.
Tempo de arrumar camas, cabeças, vidas, mundos, universos.
Penso que ao abrir meus olhos diariamente e durante o entardecer de minha Amazônia, toca-me além do que supunha. Não somente o pôr-do-sol, mas onde este sol bate diariamente 24h na sua verdadeira forma de ser neste Planeta.
O mesmo Rio que descansa toda manhã e entardecer é o mesmo Rio que deixa centenas de milhares de famílias desabrigadas durante a cheia, além de desamparadas também, durante sua vazante. O mesmo Rio que nos farta a fome e o que recebe inúmeras embarcações devastando suas águas por um alimento comercializado em larga escala, a pesca clandestina. O mesmo Rio que recebe pessoas que cruzam suas águas, que são suas estradas é o mesmo que recebe toneladas de lixo. O lixão das populações deste chão. Lixão este, que se constitui devido à ausência do dever cumprido de políticos eleitos para ocuparem cargos destinados ao zelo de tantos que confiaram como a um Santo que iria e irá operar milagres possíveis em promessas feitas em romarias eleitorais.
As matas, que outrora abrigavam seres destas, hoje somente servem de comércio, a madeira de sombra e descanso, tornou-se a mina de contrabandistas. A humanidade retrocede. A Natureza caminha e continua a ser a única detentora de si. Organismo vivo que sabiamente responde seus anseios.
Muitos a chamam de vingativa, que faz a sua própria justiça, ou que irá ser o “Apocalipse” prenunciado. Aquela que irá deixar à mercê a existência terráquea dos inteligentes seres humanos silenciados.
Mais 40 mil desassistidos a tempo no Amazonas durante a seca existente no ano de 2010. Conseqüências irreparáveis. Feridas que seguramente nunca irão sarar, sangrarão eternamente, nem o tempo sabe a solução.
Rio de Janeiro recebe neste início de ano, a maior catástrofe que ocorreu em pleno século XXI no Brasil. Até o dado momento nos 07 municípios da região serrana do Rio, mais de 600 corpos encontrados mortos e o número de desabrigados giram em torno dos 15 mil. Um cemitério a céu aberto. Um Rio de lágrimas se faz no Rio de águas que devasta famílias e morros.
Não foi a terra ou a Natureza que se virou contra populações ou somos os culpados pela Tromba d’água que caiu sobre a Serra Carioca. Autoridades despreparadas em avisar, alertar. Autoridades que não deram o devido direcionamento ou a contratação do contingente necessário para retirada em massa destas pessoas do local. Equipes que não conseguem chegar a áreas de deslizamentos que estão isoladas. Tantos que morreram e que nem sabem que morreram. Famílias devastadas em sentimentos e desolação.
Apresentadores de televisão, jornalistas, comentaristas, que em anos de profissão calcados da imparcialidade na informação, não conseguem disfarçar a dor estampada em seus rostos. Muito mais do que uma figura de perplexidade apresentada pelas televisões no mundo, eis um genocídio prenunciado nesta catástrofe do Rio de Janeiro. Renova a irônica certeza do despreparo do Pais em dispor de segurança, qualidade de vida, e zelo para com a população.
O que vale de fato na vida? Quem são os verdadeiros culpados, se é que existem? Precisam-se encontrar culpados, talvez assim aliviem-se tantos corações brasileiros espelhados pelo Brasil e pelo mundo a fora e a tamanha “cara-de-pau” desses larápios do colarinho branco. Esses detalhes sutis demonstram a contrariedade notória de tantos que vivem aqui nestas terras brasileiras abençoadas e de quem visita o nosso País. O que nos foi generosamente ofertado? Resposta: a possibilidade de criticarmos, repudiarmos, censurar, denunciar. Depois solidarizarmo-nos e ajudar.
Tempo de arrumar não somente camas, cabeças, vidas, mundos, universos. Tempo de arrumarmos esperanças, amores, condutas e finais felizes. Tempo de mudança.
Espero que sejamos pacientes e providentes como a Natureza. Embora muitos pensem o contrário, a Utopia, ou o nome que queiram dar para minhas palavras e forma de pensar e agir, pouco vale neste momento. Utópicos e insanos são os que não sentem com o passar dos anos a feliz generosidade que é a oportunidade de viver.
Façamos mais além de nós mesmos. Façamos por todos. Movimentar-se é preciso.
ALGUNS CONTATOS PARA DOAÇÃO RETIRADOS DO SITE g1.globo.com
Para doar sangue
O HemoRio montou um esquema especial de atendimento. Para doar é preciso estar bem de saúde, ter entre 18 e 65 anos e pesar mais de 50 kg. Não é necessário estar em jejum. A única recomendação é evitar alimentos gordurosos antes da coleta. Interessados devem se apresentar com um documento de identidade. Quem preferir, pode agendar um horário para fazer a doação no telefone 0800 282-0708. O HemoRio fica na Rua Frei Caneca 8, no Centro, e funciona de segunda a domingo, das 7h às 18h.
Contas para doações em dinheiro
A Prefeitura de Teresópolis disponibilizou uma conta corrente no Banco do Brasil para receber doações e ajudar as famílias atingidas pelo temporal. Com o nome “SOS Teresópolis – Donativos”, a conta corrente é número 110000-9, na Agência 0741-2. Há também a conta 2011-1, Agência 4146, da Caixa Econômica Federal. O CNPJ da Prefeitura é número 29.138.369/0001-47. Outras contas:
Prefeitura de Nova Friburgo
Banco: Banco do Brasil
Agência: 0335-2
Conta: 120.000-3
Defesa Civil – RJ
Banco: Caixa Econômica Federal
Agência: 0199
Operação: 006
Conta: 2011-0
Fundo Estadual de Assistência Social do Estado do Rio de Janeiro
CNPJ 02932524/0001-46
Banco: Itaú
Agência: 5673
Conta: 00594-7
Campanha SOS Sudeste (CNBB e Cáritas Brasileira)
Banco: Caixa Econômica Federal
Agência: 1041
Operação: 003
Conta: 1490-8
ou
Banco: Banco do Brasil
Agência: 3475-4
Conta: 32.000-5
Retorno para casa depois de uma viagem marcante ao interior do Amazonas, Tefé. Próximo texto que construirei para todos nós. Beijos e obrigada, com carinho.
Tatiana Sobreira
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