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Carta para um amigo

Achei o texto tão apropriado a tantos e tontos ou sóbrios momentos, que modifiquei algumas linhas e decidi compartilhar meus pensamentos e conflitos. 
E quem não os tem? 

Aplique-os com bom senso ou sem senso se assim desejarem.


Ser tachado de louco por não ter um comportamento trivial, é natural em toda e qualquer sociedade, seja ela contemporânea ou não. Agora ser louco e alienado, contra as suas vontades, sua fome de saber e extrapolar barreiras é perder-se na vida e aniquilar-se mentalmente.

A mente é a única forma que liberta as pessoas das doenças que foram semeadas no decorrer da humanidade. Einsten fora singular em afirmar que “... maior que a bomba atômica, é a explosão dos pensamentos” (amo esse cidadão do mundo). Franklin fez uma co-relação entre velocidade da Luz e a sapiência do cérebro. Cristo menciona sobre a ociosidade e a não ociosidade mental, traçando um paralelo com a vigília mental.

Do ponto de vista humano, estudiosos e importantes cientistas perderam-se na curva do Rio do Conhecimento. Deixaram-se envolver por conflitos existenciais e profanaram a beleza das indagações. Ofertaram disciplinas de vários cursos acadêmicos com conteúdos pragmáticos, onde alunos transformam-se não em formadores de sonhos e idéias, mas em estereótipos robotizados e futuramente deuses do famigerado capitalismo, do dinheiro e também escravos do poder que pensam possuir. E tudo isso pra que, por que? Mostra ser o cerne de suas existências. Resultado: - não se importam com quem compartilham a vida, com pessoas que estão ao seu lado ou com as pessoas que sofreram o efeito cascata de suas ações.

Vivemos como se fôssemos dominós empilhados prontos para abater os próximos dominós. Somos pedras de um jogo matematicamente calculado e aceito por todos.

Quando sai de minha pequena cidade no interior da Amazônia rumo a capital do Amazonas pensei: -Posso ousar com essa fome que dorme dentro de mim. 
As pessoas somente olhavam e admiravam o contexto externo, no que me transformei, mas para mim tudo, absolutamente tudo queimava por dentro.

Convivi com minhas diferenças, meus fogos, minhas indagações. Busquei em livros respostas para esta fome incessante que era meu eterno acompanhante desde a minha primeira e curiosa lembrança. Definitivamente eu também por tempos busquei fora demais e dentro de menos.

A busca para as respostas, que nem mesmo sei, bastam para que eu comece a perguntar se encontrei as respostas internas no decorrer do tempo. No cerne de tudo, vale saber que ainda não desisti das idéias de menina e dos meus feitos de adulto.

Observar os grandes avanços em meu coração e meu corpo foi somente o primeiro passo de humildade, que ofertei, para poder entender a minha grandeza quieta que brotou desde sempre em mim. Tão silenciosa e profunda que transformou o Deus Religioso que a Humanidade teima em ofertar, em um Deus que revela trilhões de constelações nascidas,que gera uma sinfônica na criação de Universos conhecidos e paralelos bem aqui dentro.
De Um Deus, que prematuramente ainda faz a humanidade caminhar no quesito estudo mental, como se fossemos adolescentes a buscar respostas a agir em arroubos de “meninos” querendo aparentar “gente grande”.

Não há somente humildade em perceber que outras situações são maiores do que tudo o que nos cerca ou o que permanecem conosco como referência de vida.
Abandonamos-nos no decorrer do processo, nos traímos, desconfiguramos nossos sonhos, vendemos nossos corpos e mentes por moedas baratas de incertezas e aniquilamos a nossa única liberdade, a de pensar, mesmo assim tá valendo. Temos que mudar somente.

Pais que desconfiguram personalidades de filhos fazendo-os parecer uma cópia mal feita dos sonhos derrotados de suas vidas. Cerceando oportunidades de transformação para o mundo, para a ciência, para a humanidade, para o social, para o avanço.

Pode parecer um tratado tudo o que escrevi,  mas não é.
É um BEM-TRATADO-DESABAFO.

Quando nos ofertam a possibilidade em conhecer um pouco de cada um, sempre nutri uma profunda admiração por pessoas de intelectos aguçados ou introspectivas. Pensava que era por pessoas, mas que nada!
Descobri que sou única e exclusivamente amante da mente insanamente bela e corajosa que possuo, esta que buscava e exigia respostas em outras mentes. Refiz-me, indaguei, agradeci ao Universo e caminhei dentro da minha dor, das minhas verdades, sozinha, porém com coragem.

Queridos, cada um chega no seu momento de busca, no auge da loucura. Não se abandone, coragem, só mais um pouquinho. Quando nos abandonamos o que virá é insuportável. Mas se isso ocorrer, enfrente com firmeza.
A alma às vezes precisa de medicamentos, assim como o corpo.

Corremos grandes riscos em resgatar a nossa verdadeira essência, o prumo das idéias, ou o caos das mesmas. Elas são intransferíveis, não se podem transplantar personalidades, mentes, o eu despedaçado ou refeito. Pronunciem seus nomes aqui, na hora em que leem da forma mais original na sua lembrança, dos meus e seus ancestrais e da genética de cada um e do que nasce em nossos corações e mentes. 

Olhem-se.

A vida tem dessas coisas, é excelente e fundamental, essencial, cíclica, mas que felizmente cruzamos com tantas pessoas especiais, com mutações, que redirecionam o curso de nossos pensamentos e conseqüentemente nossas vidas. Na dor da busca de cada um nesta vida louca, sempre esquecemos os que estão a partilhar diariamente sob o mesmo teto a sina de viverem juntos. Não renovamos, não cuidamos, não observamos, não zelamos, não perdoamos e nem sequer paramos para dialogar. 
Mulheres e maridos, filhos e funcionários, todos esquecidos dentro de um quadrados, dentro das escolhas que fizemos e no fim atropelamos tudo. Nos tornamos esquizofrênicos, paranoicos e nem sabemos tratar da doença. A vocação que possuímos profissionalmente, torna-se primeiro plano em tudo. Não compartilhamos mais.

Cuidado.

A vida nos leva para fora de casa, para fora de nossas mentes, do que somos enquanto pessoas, de nossa base que construímos enquanto personalidade, nos jogando de encontro ao que sempre buscamos e acreditamos piamente ser o certo. Criamos mundos externos para nos adaptarmos ao que não sabemos administrar com o coração, na singeleza da alma. Discutimos, ofendemos, afastamos, sem ofertar um pingo sequer de generosidade. O ceticismo nos faz ser cartesianos demais, nos faz ser impessoais, anularmos nossas fraquezas para poder assim parecermos fortes e aceitos. Se assim não o fizéssemos pareceríamos sofrer de uma doença contagiosa e conseqüentemente o afastamento de todos. Tornamo-nos status, dinheiro, posições, orgias, e tudo o que advém das vontades de nossos corpos e desejos, nos tornamos o próprio vil metal!... 

Não deixemos de olhar para dentro de si e das pessoas.
Não deixemos de ser idéias e mentes.
Não deixemos de admirar o amor e a singeleza das mentes.



Com amor
TS

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