Como não se render a nada?
Como fico preocupada com o que colegas de profissão, ou melhor dizer, cidadãos como eu, que se intitulam conhecedores de causas universais, desconheçam o cotidiano de milhares de brasileiros que não estejam nas “principais” regiões do país, Sudeste e Sul do Brasil.
Eu sou uma brasileira comum, de pensamentos e atitudes iguais a qualquer cidadão brasileiro, com dúvidas na aplicação do dinheiro público, no Incentivo Fiscal para as empresas do Pólo Industrial de Manaus e do restante do País, na Classe empresarial e seus feitos, na escola dos meus filhos, na comida que tenho que colocar na geladeira, no feijão, alimento típico do Brasileiro que triplica de preço, no avanço descontrolado e sem medida da informação, do descaso na Educação, do saneamento básico, direitos básicos em nossa tão bem elaborada Carta Magna. Será temos esses direitos garantidos?
Bem, na Constituição, bom citar, está compreendida a liberdade de expressão, o livre acesso à informação e circulação de idéias e distribuição igualitária no uso da informação até o cidadão brasileiro num contexto geral, em prol do não detrimento da verdadeira Democracia. Se há o direito do ir e vir, eu me atrevo aqui a pontuar somente o direito de cidadã brasileira sobre o que se escreve sobre minha Região, a qual é o meu habitat: a Região Amazônica.
É verdade, e fato observado como simples mulher, que todos num processo natural da humanidade leva tempo para tentar conhecer a si mesmo, e com quem este convive. Como se administrar a vida, como organizar o dia-a-dia, do meu ponto de vista o que não difere, em grandes companhias ou na máquina administrativa Federal dos quatro cantos do mundo.
Entendedores deste País chamado “Amazônia” requerem muita sensibilidade para tal. Eu estou em frente ao meu computador, como sempre arrumando meus textos com um amigo, falando sobre músicas, fotos que publicaremos juntamente com minhas poesias, eis que ele se dirige a mim da seguinte forma: - Veja essa matéria, lembrei de um poema teu. Foi quando me enviou o link da folha de São Paulo:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u413846.shtml
Título: ”Vendendo a Amazônia”, data, 19 de junho de 2008. Autoria: Hélio Schwartsman, 42, editorialista da Folha. Bacharel em filosofia, publicou "Aquilae Titicans - O Segredo de Avicena - Uma Aventura no Afeganistão" em 2001. Escreve para a Folha Online às quintas, contato: E-mail: helio@folhasp.com.br.
O sobrenome do cidadão é tão difícil que não consigo pronunciar (risos), duvido que saibam pronunciar alguns nomes daqui da Amazônia também, tão lindo feito o dele, mas é prosa para outro dia. Vamos continuar.
Conforme o título diz: “VENDENDO A AMAZÔNIA”, OPA! Dei um saltinho aqui dentro, espera aí, estão vendendo a Amazônia e não nos dizem nada? Aquela velha história que sempre ouvimos por aqui.
Fiquei preocupada, pois ao conversar com outro amigo sobre a Amazônia ele disse: “Tatiana é fato, sobre a Amazônia não se tem mais controle, ONGs e mais ONGs tomaram conta, foi a forma utilizada para descentralizar, retirar, burlar o governo e os próprios brasileiros sobre a continuação do direito de a Amazônia pertencer ao Brasil”. Preocupei-me quando ouvi aquilo, e mais ainda quando li o artigo acima citado. Nele o editorialista versa sobre o seu ponto de vista de nacionalidade e sobre o confortável pensamento de “vender a Amazônia aos Gringos”. E fala mais, que tudo depende da forma como a operação será montada. Será que vão sobrar alguns trocados para muitas pessoas do Sul / Sudeste / Centro-Oeste (Brasília)?
Paciência. Se alguns brasileiros decidissem conhecer a realidade de cada um desses tantos ribeirinhos que moram no “País Amazônia”, calaria muitos pensamentos. Um chefe meu (que admiro muito por sua ousadia em tentar a troncos e barrancos ajudar desenvolver a nossa região) falem o que quiser dele ou do que irei falar, sempre dizia que: “O verdadeiro entrave para o desenvolvimento da Amazônia é o desconhecimento - Phelippe Daou (Presidente do grupo de comunicação Rede Amazônica)”. E concordo com ele. Sempre costumo postar, de uma forma ou de outra, feitos de empreendedores que acreditam na Amazônia, gerando crescimento para a região. Fico feliz em ler nos jornais quando o CAS (Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus) aprova 38 projetos industriais e de serviços que totalizaram investimentos no Pólo Industrial de Manaus da ordem de US$ 1,14 bilhão de dólares, além da aprovação de projetos na área de Biocosmético, representando uma consolidação de um sonho de tantos para a Amazônia, como é o caso da negociação para a instalação da Empresa Amazonbio que produzirá óleos e perfumes na região. Tais exemplos se figuram, na excelente cobertura de amigos jornalistas da imprensa regional, na tentativa de elucidar fatos que ocorrem isoladamente em cada um dos Estados que integram a Amazônia brasileira e que em determinados momentos chegam de forma equivocada a serem divulgados em nível nacional. A falta de comprometimento de alguns parlamentares no congresso brasileiro, o não-exercício da cidadania, do nacionalismo. Opa, nacionalismo? Minha morada, zelo por ela ou deixo qualquer pessoa adentrar e dominá-la? Meu País não é minha casa? Não cabe a mim enquanto cidadã, filha deste chão, onde nasci e cresci, me eduquei, me sustentei, onde tenho prazer, satisfação pessoal, zelar, fiscalizar, agir, fazer, defender, brigar com quem faz mau uso dele? Enfim, as atitudes básicas de quem quer permanecer vivo de acordo com os direitos adquiridos e não super-proteger o que lhe cerca.
Preocupo-me muito quando algum brasileiro afirma não ter amor à Pátria e declara abertamente que não é nem um pouco nacionalista, e manifesta a imbecil e ridícula idéia de internacionalizar de vez a Amazônia, para quem sabe ter o “passaporte americano ou de algum país europeu”. Fala sério! parafraseando meus filhos. Temos que cuidar do que é nosso, conhecer as nossas riquezas e delas fazer o bom uso para o desenvolvimento da nossa Nação. Devido respeito seja dado ao caro e nobre “brasileiro”, com sobrenome de estrangeiro, que escreveu o artigo, mas se faz necessário alertar da necessidade de nós brasileiros sermos sim conhecedores de causa. Sabemos que um País se faz por sua gente. Todas as revoluções ocorridas na humanidade refletem mundialmente o seu progresso, isso é o estado natural do processo. Eu enquanto brasileiro não tenho este direito? Enquanto Amazonida, brasileira, não tenho o direito de continuar a ter o que é nosso por excelência?
Retomo a importância do povo brasileiro em conhecer de fato o que os nortistas e nordestinos pensam e fazem por aqui. Abro aqui um parêntese referente a não generalização do desconhecimento de alguns e conhecimento de outros. A Soberania se faz necessária. Mas até onde esta soberania já não foi corrompida por nós brasileiros? Mentes? Atitudes? Entregando e sendo permissivo para o quadro que se apresenta pela tão conhecida globalização.
O que alerto efetivamente é a valoração do que é ser Amazonida, ser brasileiro aqui do Monte Caburaí ou no Chuí.
Temos que abrir os olhos. E aqui cabe citar as ações que vêm sendo implementadas em alguns estados do norte do País: Gasoduto Coari-Manaus; O gasoduto Urucu - Porto Velho, etc. É do conhecimento de todos que as queimadas vêm ocorrendo, demarcações de terras indígenas, invasões de ONGs, impactos absurdos de projetos que vigoram na região, a fragilidade nas fronteiras da Amazônia brasileira, mas e o progresso? Os estudos de milhares de brasileiros para desenvolver esta região, o país como um todo, são válidos ou não? Resta a mim e a tantos outros confiarmos e fazemos nossa parte. Zelar, fiscalizar, defender, discutir, agir, no que se refere ao desenvolvimento sustentável da nossa Região Amazônia. Cabe o uso do patriotismo, não no sentido se subserviência, mas no sentido de fazer jus ao que te dá vida. Volto a frisar, temos que zelar pelo que é nosso, aprender a ser conhecedores de causa, antes de abrir mão da coisa adquirida ou usada.
Se algumas pessoas não sentem a Amazônia como sua, convido para que venham e se embrenhem nesta mata, convivam in loco com nossa história, tradições e costumes. Temos a fama de bem receber as pessoas. Sejam todos bem vindos, mesmo aqueles que não vêem com bons olhos esta terra.
Um dia, eu estava sentada na calçada da minha casa em Codajás, e um amigo que estudava com meus irmão mais velhos aproximou-se e veio jogar conversa fora. Sempre gostei de diálogos longos que mexessem a minha cabeça revirando meu cérebro. Esse amigo era esse tipo de prosa. No meio da conversa ele lança umas frases meio soltas e sem nexo, o tom quase gritando e exasperado. Quem passasse pela frente da minha casa, olhando de longe, a conversa mais parecia um palanque para a vida dele ou um bate-boca. Disse: " Eu quero falar sobre a repetição da vida. Sobre a minha confissão, fantasia, imaginação... Um caso que não é autoral. Eu apresento agora a distorção de histórias vividas ao meu lado, um plágio de dores, um exorcista de destinos. Inúmeros personagens abandonados pelo meio do caminho. Um perturbação repleta de ausência, negligência, mais outro caso não autoral. Em cada olhar dirigido a mim, cada corpo que se apresentava, pareciam páginas reviradas e repletas de episód...
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