A minha Amazônia me faz vibrar em cada nota que ecoa de dentro dela.
A minha Amazônia me deu voz firme, mas a minha voz não é única; é plural e repleta de sons que precisam navegar sem direção.
A minha Amazônia me ensinou maneiras de navegar e a superar as adversidades. Em cada curva de igarapé, rio, lago e paraná, ela me direciona para chegar além-mar.
A minha Amazônia me pariu. Meu parto foi de parteira, com dor, com sangue de cabocla do mato, com mãos firmes para amparar um futuro desenhado por ventre e mãos femininas. Parteira, amazônida, de ventre de Maria.
Eu não fiquei no meio do caminho; eu morei no meio do mato. Tomei banho de rio, com cheiro de sol, de água barrenta, de pele molhada pela água doce. O meu Amazonas me fez ir além de si. Me deu força para sair de casa, me faz trabalhar e desenhar meu caminhar. Ela me dissecou por dentro e remodelou a minha realidade em outras formas de olhar.
Fez com que eu não me perdesse da minha família amazônida que vai para além dela. Ela inventa novas Amazônias.
Me ajudou a lidar com a abundância, pois fui gerada na sua abundância e, dentro dela, nada me falta. Encheu-me de confiança e de fartura. Sendo assim, adaptei-me também às épocas de escassez da Amazônia.
Com tantos saberes que ela carrega, eu me rendo por não conhecer todos os outros saberes. Dela eu sei. E entro em outros mundos carregando o mundo dela para mesclá-lo com o mar.
Mar, com humildade, te peço até um voto de misericórdia. De tanta Amazônia que eu carrego, não desdigo da tua imensidão. Quero poder aprender contigo a amar ainda mais a tua grandeza, com toda a minha imensidão de Amazônia.
Peça-me tudo, mas nunca me peça para deixar de ser a minha eterna Amazônia.
Hoje, 5 de junho de 2026, Dia Mundial do Meio Ambiente, eu, filha da Amazônia, imploro por ela.
Imploro por seus rios, suas matas, nossos povos, saberes e sua existência.
Ao implorar pela Amazônia, imploro por nós.
Que vivamos para além do descaso social e ambiental. Que sobrevivamos à ganância, à indiferença e ao esquecimento. Que estejamos em pertencimento.
A Amazônia respira por todos nós. Que não falte fôlego para defendê-la. Que não morramos no SECO.
Que sejamos GENTE.
Por mais Amazônia. Por mais meio ambiente. Por mais vida.
Tatiana Sobreira



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