A minha Amazônia me representa. A minha Amazônia me faz vibrar em cada nota que ecoa de dentro dela. A minha Amazônia me deu voz firme, mas a minha voz não é única; é plural e repleta de sons que precisam navegar sem direção. A minha Amazônia me ensinou maneiras de navegar e a superar as adversidades. Em cada curva de igarapé, rio, lago e paraná, ela me direciona para chegar além-mar. A minha Amazônia me pariu. Meu parto foi de parteira, com dor, com sangue de cabocla do mato, com mãos firmes para amparar um futuro desenhado por ventre e mãos femininas. Parteira, amazônida, de ventre de Maria. Eu não fiquei no meio do caminho; eu morei no meio do mato. Tomei banho de rio, com cheiro de sol, de água barrenta, de pele molhada pela água doce. O meu Amazonas me fez ir além de si. Me deu força para sair de casa, me faz trabalhar e desenhar meu caminhar. Ela me dissecou por dentro e remodelou a minha realidade em outras formas de olhar. Fez com que eu não me perdesse da minha família amazôni...
Amazônidas existem. Sou comunicadora e artista da região norte do Brasil. Gratidão por passear aqui.